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Exposição ‘Mizuame – Canções Milenares’ tem como base poemas japoneses do séc. VII ao XIII

Até o próximo dia 30 de junho, o público poderá ver no Centro de Convenções da Unicamp, a exposição “Mizuame – Canções Milenares”, da artista Aiyume Nagata. 

A exposição tem como base o Ogura Hyakunin Isshu, uma antologia de poemas japoneses datados do século VII ao XIII, compiladas por Fujiwara no Teika, da qual fazem parte 100 célebres poetas com um poema cada. Todos os poemas possuem mesmo formato, e são denominados “waka” (和歌). Ao analisar a etimologia da palavra, verifica-se o uso dos ideogramas (和) “wa”, que representa o Japão, e (歌) “ka” que significa canção. É um termo usado para identificar a poesia da época que tentava se desvencilhar da influência chinesa.  A estrutura dos poemas possui 31 sílabas divididas em cinco versos no formato 5-7-5-7-7. 

Os poemas do Hyakunin Isshu abordam no geral duas temáticas principais, a primeira delas é a contemplação da natureza através da passagem das estações do ano. A outra são as relações entre o homem e a mulher, os amores, principalmente os proibidos e impossíveis, que são escondidos no cotidiano e extravasados no universo lúdico da poesia. 

Dos 100 poemas que compõem a antologia, a artista selecionou 12 para se apropriar artisticamente, fazendo uma interpretação livre. Nesta interpretação, ela utiliza o açúcar como material principal, que é derretido e cristalizado no formato de placas soltas, nas quais faz intervenções através de cores em conjunto com diversos materiais. Depois de finalizadas, as placas são armazenadas em caixinhas de papel, feitas com a técnica do Origami. Mizuame se refere a cada conjunto de placa de açúcar e caixa. 

Simultaneamente, a artista também apresenta uma série de aquarelas inspiradas nos poemas do Ogura Hyakuni Isshu, nas quais trabalha com o movimento da água que escorre sobre o papel, e o equilíbrio dos espaços vazios.

No total são trabalhados 12 poemas divididos em 60 Mizuames, feitas de maneira a aguçar os sentidos com um conjunto de elementos orgânicos, riqueza de cores, cheiros, que emitem ecos de séculos de história e eras antigas na contemporaneidade.

O Centro de Convenções da Unicamp fica na Rua Elis Regina 131, Espaço de Arte.  A visitação à exposição é gratuita e acontece de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h. Aiyume é aluna do Instituto de Artes da Unicamp e a exposição é parte de seu Projeto Experimental em Artes Visuais, que os alunos precisam apresentar no final do curso. A orientação do projeto é feito pela professora Sylvia Furegatti. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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