Plácido era um bom rapaz, do interior, calmo e tranquilo. Não poderia haver um nome melhor que Plácido pro Plácido.
Um dia, as coisas dessa vida que a gente não explica, levaram aquele rapaz tranquilo a buscar novos horizontes pra sua limitada existência e o Plácido se foi pra capital. Trocou o cheiro do mato verde pelo do CO2, o cheiro das flores pelo do lixo, o cheiro da comida da mãe, feita no fogão a lenha, pelo cheiro plástico dos fast foods, o cheiro do ribeirão, que doía na lembrança, pelo esgoto a céu aberto. Trocou o céu aberto pelo esfumaçado, a brisa do campo pela inversão térmica, o sabiá pelo buzinaço, o ronco do rio nas pedras pelo dos motores, o grito das maritacas pelos xingamentos, os “olá, bom dia…”, os acenos de mão e de cabeça, os “como vão as coisas lá?”, pelas mais diversas formas de desprezo, arrogância e indiferença.
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