Bloco do Souza, atacado na Praça do Coco em Barão Geraldo, emite nota

O Bloco do Souza soltou uma nota sobre o ataque que sofreu na Praça do Coco na madrugada de terça-feira de Carnaval. Veja abaixo a nota:

“Durante a madrugada de ontem (03 para 04 de março), por volta das 02h da manhã, a roda de samba do Bloco do Souza, que acontecia depois da belíssima apresentação do Bloco Cupinzeiro, foi surpreendida por bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Estandarte do Bloco do Souza

Havia em torno de 500 pessoas quando a força policial (Guarda Municipal e Policia Militar) chegou, sem nenhum diálogo ou interlocução com alguém do bloco. A roda de samba acontecia, com muita paz, inclusive crianças brincavam no parquinho da Praça do Coco.

O bloco, que ano passado teve como temática “SE NÃO FOR FALAR DE AMOR EU NÃO QUERO NEM OUVIR” e esse ano trouxe o tema “NÃO VENHA BOTAR CORDA NO MEU BLOCO” foi atacado pela força policial, enquanto os membros lutavam para salvar o carrinho que continha mesa, caixa de som e instrumentos musicais. Como a roda estava voltada para o centro da praça, praticamente ninguém conseguiu ver que a força policial estava chegando.

Após a correria, o que sobrou do bloco foi levado para a Moradia dos Estudantes da Unicamp, onde, na calçada, era possível ver pessoas feridas com bala de borracha, sufocadas com o gás lacrimogêneo ou simplesmente chorando assustadas e sem entender o porquê do ocorrido. Quando as pessoas ainda se recompunham aglomeradas, uma viatura da Polícia Militar parou, brecou ao lado das pessoas que estavam sem saber o que fazer e andou bem devagar, em uma mais uma atitude repressiva.

Somente nas primeiras horas do dia de hoje (04/março) é que o Bloco soube de supostas depredações que poderiam ter ocorrido na região Central de Barão Geraldo e não se pode afirmar como ou porque tudo começou.
Para nós, diante das últimas ações da polícia não só em Campinas, como parte de uma política de repressão e discriminatória, só podemos concluir que a atitude truculenta da força policial na festa foi o que ocasionou a violência. O lema que escolhemos para levar à rua este ano, “NÃO VENHA BOTAR CORDA NO MEU BLOCO”, explícita o nosso posicionamento de ser contra ao “apartheid” de manifestações culturais, como o funk, o pagode ou quaisquer que sejam. Não entramos nesse ano na programação oficial justamente contra esse posicionamento de separação cultural e de classe em um carnaval que deve ser do povo, aberto e de alegria.
Por fim, para além da indignação e do repúdio diante dos fatos desta madrugada, não podemos deixar de questionar: Quem está por trás da ação da polícia? Quem mandou a ação de repressão para acabar com o carnaval popular? Exigimos uma resposta oficial por parte da prefeitura municipal de Campinas, da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do diretor de Cultura Nei Carrasco e ainda um pronunciamento oficial por parte da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

E tudo que se pensa na hora em que observamos a força policial tão despreparada para lidar com pessoas, é que, se com estudantes universitários em um bairro classe média alta se age assim, imagina aonde a imprensa não chega”. (Mistura Indigesta)

BLOCO DO SOUZA

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