
A Polícia Federal (PF) encontrou uma sala secreta em um hangar no Aeroporto de Brasília usado por empresas de transporte aéreo do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, que pode explicar a compra de imóveis com dinheiro vivo pela família Bolsonaro.
A porta da sala secreta, que é blindada, ficava escondida atrás de um painel de madeira, que imitava uma parede. A suspeita da PF é de que o local era usado por Willer para guardar bens, incluindo dinheiro vivo. Dentro da sala, havia estantes, uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro.
Reportagem do Uol mostrou tempos atrás que de 107 imóveis negociados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e pessoas próximas, pelo menos 51 foram adquiridos parcial ou totalmente com por meio de dinheiro em espécie, da década de 1990 até 2022.
Segundo levantamento do Uol, as compras registradas nos cartórios como feitas “em moeda corrente nacional”, ou seja, em dinheiro vivo, totalizaram R$ 13,5 milhões (em valores corrigidos pela inflação, o montante equivale a R$ 25,6 milhões). Também foram realizadas compras por meio de cheque ou transferência bancária, que somaram R$ 13,4 milhões (R$ 17,9 milhões corrigidos pela inflação).
O levantamento foi realizado a partir do patrimônio construído por Bolsonaro, seus três filhos mais velhos (Flávio, Eduardo e Carlos), sua mãe, cinco irmãos e duas ex-mulheres, construído no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasileira (PI).
Dos 107 imóveis, 56 seguem como propriedade da família até este ano. Esses imóveis custaram, nas épocas em que foram comprados, R$ 18,8 milhões (ou R$ 26,2 milhões corrigidos).
A existência da sala foi revelada nesta quarta-feira (21/10) pelo jornal Estado de São Paulo. Segundo a PF, o achado justificaria o “aprofundamento das investigações”.
Uma denúncia anônima levou a PF ao local durante uma operação de busca e apreensão, em agosto deste ano, quando a Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Willer no âmbito da Operação Sem Desconto que apura a fraude milionária no INSS.
Willer Tomaz consta como um dos investigados da investigação, suspeito de fornecer uma estrutura de “hub financeiro, patrimonial e logístico” para alvos do esquema. Na época da apreensão, os policiais recuperaram outra máquina de contar dinheiro, na casa do advogado, e apreenderam quatro aviões de empresas de Tomaz.
Um segundo inquérito investiga Willer por crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com utilização de casas de apostas. O senador Flávio Bolsonaro (PL) também é investigado neste inquérito. Os dois são amigos de longa data e já fizeram diversas viagens juntos para o exterior.
A PF descobriu durante a apuração, mensagens e uma planilha que mostram que Willer pagou cerca de R$12 mil para uma empresa especializada retirar da internet links de reportagens que o relacionavam ao candidato do PL.
No celular do advogado, a policia encontrou e-mails que mostravam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como usuário master de uma conta bancaria da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. Ou seja, Willer Tomaz é uma espécie de sócio oculto de Flávio Bolsonaro.
Devido ao foro especial do senador Flávio, o caso foi para o Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de outubro. A Procuradoria-Geral da República analisou os indícios e se manifestou pela abertura da investigação.
Esse é o segundo inquérito no STF em que Flávio é um dos investigados. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, foi aberto em julho e apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master.
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