
“O que pode o artista diante das catástrofes?” Essa é a pergunta de partida que deu forma à exposição coletiva “O Sul é o Nosso Norte”, que traz à tona diferentes percepções sobre crises climáticas, conflitos, desigualdades e as possibilidades de imaginar outros futuros. A abertura será nesta quinta-feira, 22 de outubro, às 18h, no Instituto Pavão Cultural, em Barão Geraldo, Campinas.
A mostra reúne obras de 35 artistas, com curadoria da equipe do Instituto, em parceria com os curadores convidados Tania Sayri e Henrique Gebara, e é o desdobramento de um projeto que começou em fevereiro de 2025, quando o Pavão Cultural lançou uma chamada aberta para artistas a partir do contexto de avanço da extrema direita e da intensificação de discursos autoritários em diferentes partes do mundo.
Na época, o projeto tomou como referência “América Invertida”, obra criada pelo artista uruguaio Joaquín Torres García em 1943, que propõe uma inversão do mapa convencional do continente e questiona as perspectivas estabelecidas sobre o Norte e o Sul.
Desde então, destacam os organizadores, o cenário que motivou aquela primeira chamada tornou-se ainda mais complexo: o mundo enfrenta novas guerras, crises econômicas e políticas, cresceram a intolerância e a desinformação, a sensação de insegurança e angústia. Ao mesmo tempo, a emergência climática se agrava e as desigualdades permanecem sem respostas capazes de acompanhar a dimensão dos desafios.
Crises e futuro
É nesse contexto que a segunda edição de “O Sul é o Nosso Norte” retoma a pergunta que permanece urgente: o que pode um artista diante das catástrofes? A arte aparece não necessariamente como resposta, mas como possibilidade de elaborar experiências, produzir sentidos, resistir e imaginar outros modos de futuro em trabalhos que refletem sobre um presente marcado por conflitos armados, crises climáticas, instabilidades econômicas, disputas geopolíticas, desigualdades sociais e o agravamento da saúde mental.
O projeto também propõe olhar para os processos históricos que atravessam o chamado Sul Global. Ao revisitar experiências de colonização e as diferentes estratégias de sobrevivência desenvolvidas por povos e comunidades ao longo do tempo, a exposição coloca em evidência processos como deslocamento, adaptação, miscigenação cultural e resistência. São experiências que ajudam a compreender a formação desses territórios e que também podem oferecer outras perspectivas para pensar os desafios do presente.
A programação contará com oficinas e palestras propostas pelos artistas participantes, uma forma de criar um lugar de encontro e ampliar o espaço de diálogo e troca com o público sobre os modos de existir e criar em um mundo atravessado por múltiplas crises. (Com informações de divulgação)
Serviço
Data: abertura 22 de outubro de 2026 (quinta-feira)
Horário: 18h
Visitação: até 12 de dezembro, de quarta-feira a sábado, das 15h às 19h
Local: Instituto Pavão Cultural
Endereço: Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708, Cidade Universitária, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita
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