Livro e exposição percorrem cinco décadas de criação da artista visual e performer Cecilia Stelini

Cecilia Stelini na performance “Comum União” (foto saulo santiago – divulgação)

Em São Paulo – Com raízes na arte conceitual dos anos 1970, a artista visual e performer Cecilia Stelini reúne cinco décadas de pesquisa e criação no livro “O que os olhos não veem: Diário de percurso” e na exposição “Percurso entre polaridades”. O lançamento da publicação e a abertura da mostra serão no dia 7 de novembro em dois espaços na Galeria Metrópole, no centro histórico de São Paulo. Entre um evento e outro, a artista realiza uma performance com fio bordô e o próprio corpo, conectando uma sala à outra.

A realização deste projeto destaca a força e o protagonismo de uma artista que vive e cria no interior de São Paulo, em Campinas, e cujos fluxos de pesquisa e cooperação artística se expandem continuamente, com atuação em circuitos internacionais da América Latina e de outros continentes, com residências, exposições e ações coletivas em países como Argentina, Colômbia, México, Cuba, Canadá, Finlândia, Polônia, Irlanda do Norte e França.

O livro

Dividido em três núcleos visuais e reflexivos – objetos e instalações, intervenções urbanas colaborativas e performance -, “O que os olhos não veem: Diário de percurso“ será lançado na Lovely House, das 11h às 14h. O livro acompanha a evolução poética e iconográfica de Stelini sem se limitar a uma cronologia rígida.

Estruturado a partir de registros fotográficos, panorama de suas obras, ações em espaço público e ensaios de críticos e curadores, investiga a simbiose entre arte e vida. A obra mergulha nos símbolos centrais do universo da artista, como o coração, o peixe, o cordão, os fios bordados e os tapetes rituais construídos coletivamente, marcados por vivências autobiográficas.

Das ações solitárias aos agenciamentos rituais e de plástica social em espaço público, o livro revela a dimensão relacional e afetiva de uma prática artística em contínua transformação e em comunhão com o outro, que transita por mídias como instalações, fotogravuras, livros de artista, intervenções urbanas e vídeo performances, tensionando as fronteiras entre o visível e o invisível, o feminino e o masculino, o efêmero e o permanente, o sagrado e o profano.

Concebido pela própria artista, com diagramação de Fabiana Pacola e produção de Caia Gusmão Ferrer, o livro afirma-se como objeto artístico, com capa dura revestida em tecido e lâminas em papel vegetal entre as páginas com registros em Super 8 da Série “De peito aberto” e desenhos sobre papéis artesanais da Série “Peles” (2011), entre outros trabalhos.

A exposição

A mostra “Percurso entre polaridades, com evento de abertura das 14h às 18h, ocupa integralmente a Galeria Retina com trabalhos desenvolvidos ao longo de 50 anos de produção da artista e um diálogo direto com obras históricas, como a instalação em porcelana “100 Cabeças”, de 2004, e a série em vidro soprado “Corações à venda”.

Na galeria, a obra ganha nova espacialidade: cabeças de peixe em cerâmica fixadas na parede dão origem a mais de 20 fios de miçangas que atravessam o ambiente, estabelecendo uma dialética entre as polaridades e usando o ritual como ponte entre a obra e seu fruidor. O espaço expositivo conta ainda com duas fotogravuras da Série Branca e com o livro panorâmico da artista como objeto instalativo. (Com informações de divulgação)

A artista
Nascida em São Paulo em 1951 e radicada em Campinas, Cecilia Stelini iniciou sua formação na Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP). Em 1972, integrou a emblemática VI Jovem Arte Contemporânea (VI JAC), sob orientação de Walter Zanini, no MAC USP, marco conceitual de sua trajetória. Sua pesquisa se expande por múltiplas linguagens: assemblage, cerâmica, vidro, livro de artista, intervenção urbana e performance.
Gestora do AT | AL | 609 – Lugar de investigações artísticas, em Campinas, Stelini idealizou e curou projetos como Movimentos Convergentes 1 e 2 (2012 e 2014), os festivais Atos em Ações: Festival de performance e intervenções (2013 e 2015) e a Ocupação no Cãndido, projetos que reuniram de 15 a mais de 80 artistas do interior de São Paulo e internacionais.

Serviço

Data: 7 de novembro de 2026 (sábado)
Horário: das 11h às 14h (lançamento do livro) e das 14h às 18h (abertura da exposição)
Visitação: até 26 de novembro, às quintas e sextas-feiras das 14h às 18h
Local: Galeria Metrópole – Lovely House (Sala 30, livro) e Galeria Retina (Loja 26, exposição)
Endereço: Av. São Luís, 187, piso 1, República, São Paulo-SP
Ingressos: entrada gratuita


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