Família Bolsonaro ficou com R$ 48 milhões de Daniel Vorcaro, suspeita PF

(imagem reprodução intercept)

A Polícia Federal (PF) identificou uma divergência contábil considerada “severa” na movimentação de recursos destinados ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo documentos analisados pelos investigadores, US$ 12,33 milhões foram enviados aos Estados Unidos, mas apenas US$ 2,8 milhões tiveram entrada registrada no Brasil, uma diferença de aproximadamente US$ 9,5 milhões, equivalente a cerca de R$ 48,2 milhões na cotação mencionada pela imprensa.

Os recursos partiram da Entre Investimentos, empresa ligada ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e foram transferidos para o fundo norte-americano Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A investigação procura esclarecer se o dinheiro foi efetivamente utilizado na produção cinematográfica ou se o projeto teria servido para encobrir outras movimentações financeiras.

A produtora Go UP Entertainment declarou que o filme custou pelo menos R$ 75,1 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 54 milhões corresponderiam a despesas no exterior e R$ 20,9 milhões a gastos no Brasil. A Polícia Federal pretende confrontar esses valores com os registros bancários, os contratos e a documentação contábil da produção para esclarecer a destinação dos recursos.

A apuração também envolve o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na captação de recursos junto a Vorcaro e a hipótese de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, ou seja, para a criação de um fundo para a família Bolsonaro. A PF examina ainda a destinação de emendas parlamentares a organizações relacionadas à proprietária da produtora.

Em 16 de outubro, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 90 dias para concluir as investigações e realizar uma perícia financeira aprofundada. A defesa da Go UP Entertainment afirmou que a perícia demonstrará a legalidade do financiamento.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, negou ter recebido dinheiro de um fundo ligado a Vorcaro, mesmo estando evidente sua relação com o fundo. A família também não abre o sigilo para esclarecer e não contribui com a investigação.

O ponto central do caso é esclarecer a origem, o percurso e a destinação dos recursos, verificando se os valores declarados como financiamento do filme correspondem às transferências internacionais e às despesas efetivamente realizadas. A divergência identificada pela PF constitui um indício do que está sendo investigado, ou seja, desvio de dinheiro ou de responsabilidade criminal dos envolvidos.


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