
O piano de Carlos Gomes e uma colher de pedreiro de prata usada por Santos Dumont para assentar o primeiro tijolo na cerimônia de lançamento da pedra fundamental do monumento do maestro são algumas das peças que compõem o acervo do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), em Campinas, conectando a trajetória do pioneiro da aviação à do compositor campineiro que conquistou reconhecimento nos palcos europeus. A instituição completa 125 anos neste sábado, 31 de outubro, e preserva documentos, livros raros, obras de arte e objetos ligados a personagens importantes da história da cidade brasileira.
Localizado no coração de Campinas, na esquina da Rua Bernardino de Campos com a Avenida Francisco Glicério, no Centro, o CCLA abriga biblioteca, pinacoteca, o Memorial Niza Tank, o Museu Carlos Gomes e a Galeria de Arte Egas Francisco. É palco também para apresentações artísticas de música e teatro. Atualmente, o espaço é administrado por voluntários. “Os campineiros devem se orgulhar de possuir um patrimônio cultural tão rico, tão diversificado, relíquias preservadas por um grupo de idealistas e visionários: professores, botânicos, médicos, jornalistas e músicos”, afirma.

O acervo conserva ainda uma blusa de Ana Gomes, irmã de Carlos Gomes. Com mangas rendadas e acabamento plissado, a peça registra características da moda do século XIX e permite observar costumes da época por meio de um objeto do cotidiano. Uma escrivaninha e um armário provavelmente pertencentes a Ramos de Azevedo também integram a coleção. Engenheiro, arquiteto, professor e empreendedor, ele foi um dos responsáveis pela modernização da arquitetura e da construção civil paulista.
Ciências e artes
O CCLA foi fundado em 31 de outubro de 1901, por iniciativa de Cesar Bierrenbach, como uma entidade cultural particular sem fins lucrativos. Sua criação reuniu cientistas, artistas e intelectuais ligados principalmente ao Colégio Culto à Ciência e ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A proposta era incentivar estudos, pesquisas e produções científicas e artísticas, reunindo diferentes áreas do conhecimento. Ao longo das décadas, essa atuação deu origem ao patrimônio cultural preservado pela instituição.
A Biblioteca Cesar Bierrenbach começou a ser formada nos primeiros anos do CCLA e conserva publicações desde o século 16. Seu acervo inclui livros, revistas, jornais, boletins, teses e folhetos, especialmente nas áreas de literatura e ciências humanas, além de obras sobre história, medicina e religião, enciclopédias, dicionários e primeiras edições literárias. Entre os registros da imprensa local estão a Gazeta de Campinas, de 1870, e o Diário de Campinas, de 1875. A produção intelectual de autores da cidade tem espaço na Coleção Campiniana.
A Pinacoteca reúne cerca de 180 obras de diferentes períodos e estilos, incluindo Romantismo, Neoclassicismo e Impressionismo. Há trabalhos de Benedito Calixto, Almeida Júnior, Lasar Segall, Bruno Giorgi e do campineiro Egas Francisco. A coleção começou com doações nas primeiras décadas do século 20. Entre as primeiras peças estavam retratos dos fundadores da instituição, produzidos por artistas como Fernando Piendereck e Salvador Caruso.
Patrimônio histórico
O próprio edifício do CCLA faz parte do patrimônio histórico de Campinas. A primeira sede foi aberta em 1902, na Rua Barão de Jaguara, 23. A segunda, inaugurada em 31 de outubro de 1908, foi desapropriada e demolida durante o alargamento da Rua Francisco Glicério, no início da década de 1940.
Com a indenização, a instituição construiu a sede atual, inaugurada em 9 de junho de 1942. O prédio é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc). Sua arquitetura segue o estilo Art Déco, com linhas retas, formas geométricas, simetria e elementos escalonados presentes na fachada e em outros detalhes da construção. (Com informações de divulgação)
Visitação
O CCLA recebe visitantes às quartas e sextas-feiras, das 9h às 17h, com funcionamento da biblioteca, dos museus e da Galeria de Arte Egas Francisco. Para visitas em outros dias, é necessário agendamento pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (19) 3231-2567. O endereço é Rua Bernardino de Campos, 989, no Centro de Campinas.
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