Pastor que chutou nossa senhora aparecida (imagem reprodução)
O projeto de evangélicos de retirar Nossa Senhora como Padroeira do Brasil não é falsa e já teve até projeto feito por um deputado evangélico.
O projeto de poder de setores evangélicos, ligados a partidos políticos montados por pastores evangélicos é real e concreto. E isso, com certeza, inclui não só a retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. É bem pior.
Esse projeto só não foi para frente ainda porque setores democráticos e de esquerda na Câmara Federal e no Senado impedem o total poder de grupos de direita ligados ao bolsonarismo evangélico.
Como os pastores evangélicos ainda não têm total poder políticos no Congresso Nacional, usam os católicos para seu projeto de poder, mas logo os católicos serão descartados. Esse descarte de aliados faz parte da história do fascismo e do fundamentalismo.
Lembre do que aconteceu na Bolívia.
A manipulação dos católicos por evangélicos extremistas está no discurso de que a “Bíblia está acima da Constituição”. Esse slogan autoritário e fundamentalista foi usado por vários evangélicos, já virou até adesivo de carro pelas ruas e foi várias vezes defendido durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Em dezembro de 2020, por exemplo, em evento da Convenção Estadual das Assembleias de Deus da Bahia (CEADEB), na sede da convenção em Salvador, no bairro do Costa Azul, Bolsonaro fez um discurso de cerca de 15 minutos. Bolsonaro afirmou que “o Brasil é um país cristão”, iludindo os católicos. “Batem muito na tecla de sermos um Estado laico, mas com muito orgulho, eu digo que seu presidente é cristão. Acima da nossa Constituição está a nossa fé, está aquele livro conhecido como Bíblia Sagrada”, declarou.
A discussão também passou a ser relacionada à candidatura de Flávio Bolsonaro. Uma coluna publicada pelo Jota afirma que católicos entraram em cena contra Flávio Bolsonaro. Caso Flávio seja eleito presidente, ele poderia atender a uma reivindicação de setores evangélicos para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
A ideia de retirar o título não é inédita. Em 2007, um projeto chegou a tramitar na Câmara dos Deputados propondo que Nossa Senhora Aparecida deixasse de ser considerada padroeira de todos os brasileiros e passasse a ser padroeira apenas dos brasileiros católicos. A proposta acabou arquivada.
O Projeto de Lei 2623/2007, apresentado pelo então pastor e deputado federal Professor Victório Galli, propunha retirar de Nossa Senhora Aparecida o título oficial de “padroeira do Brasil” para substituí-lo por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O ex-deputado foi pastor da Assembleia de Deus.
Antes disso, em 1995, em plena transmissão pela TV, um pastor chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Era o evangélico Sérgio Von Helder, então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.
Nossa Senhora Aparecida recebeu oficialmente o título de Padroeira do Brasil em 1930, por decreto do papa Pio XI. Em 1931, a proclamação foi celebrada oficialmente no Rio de Janeiro, então capital do país, com a presença do presidente Getúlio Vargas e de autoridades brasileiras.
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