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Professoras de Vinhedo e Hortolândia lançam obra sobre mediação antirracista na Bienal

(imagem rafael salvador divulgação)

 A experiência cotidiana de professoras e mediadoras de leitura, com seus desafios, descobertas e aprendizados, ganha espaço nas páginas de um novo livro que será lançado na edição 2026 da Bienal do Livro de São Paulo de forma independente. Histórias que nos atravessam: cartas de mediadoras de leitura do GELLE reúne relatos de 20 educadoras de diferentes regiões do Brasil sobre práticas de mediação de literatura antirracista realizadas em escolas e outros espaços de leitura.

Entre as autoras estão as professoras Amanda Bargas, de Hortolândia (SP), e Katia Chiaradia, de Vinhedo (SP), que participam do Grupo de Estudos de Literatura e Leitura na Escola (GELLE), comunidade criada em 2021 para reunir professoras e mediadoras interessadas em estudar, conversar e compartilhar experiências sobre literatura no ambiente escolar.

O lançamento da obra acontece no próximo domingo (13 de setembro), às 17h30, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Da mesma forma, o livro pode ser adquirido pelo instagram do GELLE: @gelle.grupodeestudos. O exemplar custa R$ 50.

Resultado de anos de estudos, encontros e trocas entre as participantes do GELLE, a publicação nasce com uma proposta diferente de um manual de práticas pedagógicas. As cartas são escritas de uma mediadora para outra e apresentam experiências reais de leitura, revelando tanto aquilo que funcionou quanto situações que precisaram ser repensadas ao longo do caminho.

“Não são práticas exemplares no sentido de modelos a serem reproduzidos nem receitas de mediação. São professoras contando umas às outras o que fizeram, o que aconteceu quando colocaram um livro em contato com as crianças, o que funcionou, o que precisou ser revisto”, explica Katia Chiaradia, uma das responsáveis pela organização da obra.

Vale destacar que as experiências reunidas atravessam diferentes infâncias e contextos educativos: do berçário aos anos finais do Ensino Fundamental. As obras trabalhadas pelas mediadoras são de autoria negra e indígena ou apresentam personagens negros e indígenas, colocando a literatura como uma possibilidade de ampliar repertórios, provocar reflexões e contribuir para uma educação comprometida com as relações étnico-raciais.

Para Amanda Bargas, também autora da publicação, participar do livro representa uma forma de reconhecimento do trabalho realizado diariamente pelas professoras. “Sentimos que estamos contribuindo para uma formação mais humana e para a luta antirracista, além de podermos ocupar espaços que muitas vezes nos são negados”, afirma. Para ela, o diferencial da publicação está justamente na valorização das experiências concretas vividas no cotidiano escolar e na intencionalidade presente nas práticas de mediação.

Mais do que apresentar propostas prontas, Histórias que nos atravessam convida outras professoras e mediadoras a refletirem sobre o encontro entre livros e leitores. São relatos que mostram como as próprias crianças também participam da construção das experiências literárias, surpreendendo os adultos e abrindo novos caminhos para a mediação.

“Por isso, quando colocamos as vinte cartas lado a lado, a pluralidade não enfraquece a unidade do livro; ela é justamente o que constrói essa unidade. São vozes múltiplas e únicas que, como escrevo no prefácio, se entrelaçam, se apoiam e se transformam mutuamente. E talvez essa seja também uma boa imagem do que acreditamos que uma formação docente possa ser”, destaca Katia.

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