Curso e encontro fazem imersão na memória visual e urbana de Campinas a partir do olhar de V8

(foto centro de memória da unicamp – divulgação)

Durante décadas, o fotógrafo Aristides Pedro da Silva, o V8, acompanhou pelas lentes as mudanças de Campinas. Começou a fotografar em 1947, registrando partidas de futebol, e tornou-se profissional cinco anos depois. Ao mesmo tempo em que produzia suas próprias imagens, passou a reunir fotografias antigas com famílias, personalidades e instituições da cidade. O resultado é uma das mais importantes coleções sobre a memória visual de Campinas.

Esse legado é retomado no curso “Negro Olhar sobre Campinas, de V8 à Contemporaneidade” e no encontro “V8 e Memória Urbana de Campinas no Século XX”, parte da programação do Sesc Campinas em setembro, para pensar não apenas o que a cidade foi, mas também suas transformações.

Entre 5 de setembro e 3 de outubro, aos sábados, a artista visual Andrea Mendes e o fotógrafo Roniel Felipe propõem uma imersão neste universo no curso “Negro Olhar sobre Campinas, de V8 à Contemporaneidade”. Usando o acervo de V8 como ponto de partida, eles trazem uma reflexão sobre identidade, pertencimento, conexões culturais e os apagamentos que podem ser percebidos na paisagem urbana campineira.

A trajetória do fotógrafo também será o eixo do encontro “V8 e Memória Urbana de Campinas no Século XX”, em 16 de setembro. A conversa reúne a pesquisadora Sônia Fardin, a representante do Centro de Memória da Unicamp Maria Alice e o arquiteto Luiz Antônio Toka Aquino, com mediação da artista visual Andrea Mendes. A proposta é olhar para as transformações urbanas a partir das experiências, narrativas e dos registros visuais que atravessaram a vida de V8.

Cidade em transformação

Entre ruas e edifícios, as fotografias de V8 ajudam a enxergar uma Campinas que já não existe. Em suas imagens estão registros de demolições que marcaram a cidade, como a da Igreja Nossa Senhora do Rosário, em 1956, e a do Teatro Municipal Carlos Gomes, em 1965. Também aparecem o futebol campineiro, a construção do Brinco de Ouro da Princesa, antigas fazendas, praças, ruas comerciais, bondes, automóveis e os sinais de uma cidade que se modernizava ao longo do século XX.

Nascido em 1921, na Fazenda Atibaia, em Sousas, Aristides Pedro da Silva herdou do irmão o apelido V8, que acompanhou uma trajetória que o transformou em uma espécie de guardião da memória imagética de Campinas. Sua coleção, especialmente a série “Campinas Antiga”, registra uma cidade entre permanências e mudanças.

V8 morreu aos 91 anos, em 2012, deixando um acervo que reúne milhares de imagens produzidas por ele e por outros fotógrafos, abrangendo diferentes períodos da história local. Desde 2001, a coleção está sob a guarda do Centro de Memória da Unicamp. Olhar para essas imagens é também perguntar quem registrou a cidade, o que foi preservado e o que ficou pelo caminho, esquecido ou retirado da paisagem.

Serviço

Negro Olhar sobre Campinas, De V8 a Contemporaneidade
Data
: 5 de setembro a 3 de outubro de 2026, aos sábados
Horário: 10h
Local: Sala 9 Sesc Campinas
Endereço: Rua Dom José I, 270/333, Bonfim, Campinas-SP
Inscrições: limitadas no local, a partir dos 30 minutos que antecedem a atividade
Entrada: atividade gratuita

V8 e Memória Urbana de Campinas no Século XX
Data
: 16 de setembro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: Teatro Sesc Campinas
Endereço: Rua Dom José I, 270/333, Bonfim, Campinas-SP
Entrada: atividade gratuita, sem retirada de ingressos


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