
Sabe aquele clube do vinil em que homens de boné, camisetas de banda e bermudões eram praticamente absolutos na cena? Esse cenário tem mudado nos últimos anos. Cada vez mais mulheres têm se reunido em torno das bolachas para ouvir música, assumir as pick ups e, principalmente, trocar experiências. Em Campinas, esse movimento acaba de ganhar um marco importante: a cidade agora tem seu primeiro clube do vinil feito por mulheres e para mulheres.
A iniciativa nasceu de um incômodo antigo, compartilhado entre amigas. “O vinil e o colecionismo sempre foram muito associados aos homens e eu sentia falta de ver mais mulheres ocupando esse espaço com naturalidade”, conta Ana Karla Farias, uma das idealizadoras.
A ideia ganhou força quando foi dividida com Ana Carolina Alves, também colecionadora, e rapidamente se expandiu. Outras mulheres foram sendo convidadas de forma orgânica até que o grupo se consolidasse, começando no ambiente digital, através de um grupo de WhatsApp.
A proposta do clube vai além da troca de discos. A ideia é criar um ambiente de escuta atenta, descoberta e convivência por meio da música, resgatando o vinil como uma experiência estética e afetiva. Em tempos de algoritmos e consumo acelerado, o movimento é quase um manifesto: desacelerar, ouvir um álbum inteiro, compartilhar impressões e memórias.
A cada encontro, um disco é escolhido pelas organizadoras para ser ouvido e debatido coletivamente. “Nessa primeira edição nós escolhemos o disco disruptivo Horses, da cantora Patti Smith. A ideia é que a cada edição do encontro a gente possa trocar sobre a forma de ouvir discos, suas referências e histórias pessoais com a música, e isso vai ampliando todo o nosso repertório”, relata Ana Karla Farias. Mais do que um nicho fechado, o espaço se constrói justamente na diversidade de experiências.
Mais do que um clube de música, o projeto se posiciona como um espaço de pertencimento e fortalecimento. “É importante porque mostra que a gente pode participar dessa cultura sem precisar se encaixar em algo ou pedir espaço. É só chegar e fazer parte”, afirma Ana Carolina Alves, nutricionista e uma das organizadoras. Em um universo historicamente dominado por homens, o clube surge como uma forma de ocupação e reivindicação, ampliando a presença feminina no colecionismo e na discotecagem.
As histórias que atravessam os encontros reforçam essa dimensão afetiva. Muitas participantes relatam relações profundas com o vinil, herdado de pais, mães ou familiares queridos. Discos que carregam memórias, afetos e trajetórias. Ao compartilhá-los, o clube constrói não apenas uma escuta coletiva, mas também um arquivo vivo de experiências.
O próximo encontro já tem data marcada: será no dia 29 de agosto, a partir das 16h, no Blu Caffe, na Rua Percílio Neto, 293, no Parque Taquaral. A programação reúne audição de vinil e discotecagem com a DJ Camila.
Os encontros acontecem mensalmente, sendo escolhida a cada edição uma artista a ser homenageada, desta vez, será a vez de Elza Soares ser relembrada. O clube segue em fase de experimentação, aberto ao crescimento e à chegada de novas integrantes. A regra é simples: não importa se já coleciona ou se está começando agora. Basta chegar, ouvir e fazer parte.
Acompanhe as redes do Clube para ficar por dentro da agenda de encontros e das novidades.
Serviços
O que: Clube do Vinil Feminino
Quando: Edição mensal — próximo encontro em 29 de agosto, a partir das 16h.
Onde: Blu Caffe — Rua Percílio Neto, 293, Parque Taquaral
Atração: Audição de vinil e discotecagem com DJ Camila
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