
Campinas foi a primeira cidade do Brasil a reconhecer a capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial. Esse legado ganha destaque entre os dias 3 e 8 de agosto na Semana da Capoeira, com uma programação gratuita de rodas, oficinas, vivências, musicalidade e debates. A abertura será com uma roda de capoeira na segunda-feira, às 19h, na Prefeitura de Campinas. Depois, a programação segue para a Estação Cultura.
A Semana é promovida pelo Coletivo Salvaguarda da Capoeira de Campinas (CSCC) e reúne mestres e mestras, grupos, pesquisadores, educadores, artistas, estudantes e representantes do setor público em atividades voltadas ao fortalecimento da capoeira como expressão cultural, da identidade brasileira e ferramenta de inclusão e transformação social (veja a programação completa abaixo).
Considerada também Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan desde 2008 e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2014, um ano depois do reconhecimento em Campinas, a capoeira tem no CSCC um importante centro de preservação e articulação para a construção de políticas públicas, reunindo capoeiristas e os diversos segmentos da sociedade em ações voltadas à valorização e transmissão desse patrimônio às novas gerações.
Expressão e resistência
Neste mês, a capoeira teve mais uma conquista, com a criação do Dia Nacional, 15 de julho, instituído pela Lei 15.469/26, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma referência à data em que se tornou patrimônio nacional. Antes de todos esses reconhecimentos, porém, a capoeira atravessou séculos de resistência. Surgida no Brasil entre os séculos XVI e XIX, foi desenvolvida por africanos escravizados e seus descendentes como forma de preservar tradições, fortalecer a identidade cultural e criar estratégias de defesa. Misturando luta, dança, música e religiosidade, a prática tornou-se um símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.
Após a abolição da escravidão, a capoeira continuou sendo alvo de perseguição. Em 1890, foi criminalizada pelo Código Penal da República, o que levou muitos praticantes à prisão e obrigou a manifestação a sobreviver na clandestinidade por décadas. Somente ao longo do século XX a capoeira passou a conquistar reconhecimento como expressão cultural brasileira.
Serviço
Data: 3 a 8 de agosto de 2026 (segunda-feira a sábado)
Local: Abertura na Prefeitura de Campinas no dia 3 e outras eventos na Estação Cultura
Endereços: Avenida Anchieta, 200, e Praça Marechal Floriano Peixoto, s/nº, Centro, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita
PROGRAMAÇÃO
Segunda-feira | 3 de agosto
19h – Abertura com roda de capoeira
Local: Paço Municipal – Prefeitura de Campinas
Terça-feira | 4 de agosto
19h – Roda dos Saberes
Tema: 16 anos do CSCC – Conquistas, Avanços e Perspectivas Futuras
Local: Sala do CSCC – Estação Cultura
Quarta-feira | 5 de agosto
19h – Vivência de Capoeira
Facilitador: Mestre Salário
Local: Sala do CSCC – Estação Cultura
Quinta-feira | 6 de agosto
19h – Vivência de Capoeira
Facilitador: Mestre Marquinhos
Local: Sala do CSCC – Estação Cultura
Sexta-feira | 7 de agosto
19h – Vivência de Ritmos, Musicalidade e Orquestra de Berimbaus (os participantes devem levar o seu berimbau)
Facilitador: Mestre Topete
Local: Sala do CSCC – Estação Cultura
Sábado | 8 de agosto
14h – Visita Monitorada
História e trajetória do Coletivo Salvaguarda da Capoeira de Campinas
15h – Vivência de Capoeira
Facilitador: Professor Marcelo Passarinho
16h – Vivência de Maculelê
Facilitador: Mestre David
17h – Oficina de Instrumentos
Facilitador: Mestre Macena
18h – Roda de Encerramento e Confraternização Colaborativa
(os participantes são convidados a levar comes e bebes para compartilhar).
Local: Sala do CSCC – Estação Cultura
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