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Bets assediam o brasileiro pelo celular enquanto o SUS tenta conter epidemia

Assédio das bets e o SUS (imagem carta campinas)

Empresas e bets legais ou ilegais (ou golpistas, tanto faz), estão mandando mensagens diretas pelo celular dos brasileiros tentando fisgá-lo para as apostas. Elas dizem que oferecem de presente R$ 100,00 para usuário de celular o chama de “jogador”.

Ao mesmo tempo que são assediados pelas bets, os usuários de celular também estão recebendo mensagens do Sistema Único de Saúde (SUS), do governo federal, que tenta alertar e conter a epidemia de jogos e evitar os danos causados pelas bets. Na imagem acima, é possível ver mas mensagens de assédio das bets e o alerta do SUS.

O Ministério da Saúde informou há dois meses que nos últimos cinco anos houve um crescimento de quase 140% na busca por serviços de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) por problemas de dependência de jogos on-line. Neste mês, o Ministério da Fazenda divulgou que mais de 500 mil pessoas pediram a exclusão dos cadastros de bets por tempo indeterminado, principalmente porque perderam o controle. A ferramenta de autoexclusão está disponível na plataforma gov.br.

Os dados foram apresentados em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico. O deputado Vander Loubet (PT-MS), que solicitou a audiência, apoia, junto com outros colegas de partido, o Projeto de Lei 1808/26, que busca proibir as apostas online.

Marcelo Dias, representante do Ministério da Saúde, disse que o governo teve que lançar uma plataforma de atendimento on-line no Meu SUS Digital para pessoas com problemas com jogos. Antes do atendimento, a pessoa faz um autoteste para verificar o nível de dependência.

Segundo Marcelo, houve uma regulação maior das bets nos últimos anos, no governo Lula, mas elas funcionaram sem freios durante o governo Bolsonaro (2019-2022), criando o que ele chamou de “tempestade perfeita” por causa da pandemia de Covid-19 na época. De qualquer forma, segundo ele, o aumento da oferta de jogos trouxe mais problemas de dependência.

O Ministério da Saúde coloca no ar a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online. A iniciativa alerta a população sobre os riscos associados ao uso problemático das plataformas de apostas e divulga os serviços de saúde mental oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o acolhimento e o tratamento de apostadores e familiares afetados. A campanha será veiculada, a partir deste domingo (26), na TV, no rádio e nas redes sociais.

As apostas online, conhecidas como “bets”, estão cada vez mais presentes no cotidiano e podem ser acessadas por diferentes dispositivos, inclusive celulares. Disponíveis 24 horas por dia, as plataformas utilizam recursos como notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis, que podem estimular a permanência e a repetição das apostas. O uso problemático dessas plataformas pode levar a pessoa a apostar por mais tempo ou gastar mais do que havia planejado, com possíveis impactos na saúde mental, na situação financeira, na rotina e nas relações familiares e sociais.

O Transtorno do Jogo é reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como um transtorno de comportamento aditivo. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição afeta cerca de 1,2% da população adulta mundial.

SUS oferece atendimento presencial e teleatendimento especializado

Para ampliar o acesso ao cuidado, o SUS oferece teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas e seus familiares. O serviço é sigiloso e permite o acesso à assistência especializada a distância.

Apostar por mais tempo ou gastar mais do que o planejado, preocupar-se frequentemente com jogos e apostas e perceber alterações no sono, no humor, na rotina ou nas relações são sinais que merecem atenção. Familiares de pessoas afetadas também podem utilizar o teleatendimento para receber acolhimento, orientação e acompanhamento.

Confira como acessar:

  • Entre no Meu SUS Digital pelo aplicativo ou pela versão web.
  • Faça login com a conta gov.br.
  • Na página inicial, selecione “Miniapps”.
  • Clique em “Problemas com jogos de apostas?”.
  • Responda ao autoteste disponível na plataforma.

As perguntas ajudam a avaliar a relação com as apostas e a identificar o cuidado mais adequado. Quando o resultado indica risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é feito automaticamente. Nos demais casos, o aplicativo apresenta orientações sobre os serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

O atendimento presencial pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde apostadores e familiares recebem acolhimento, orientação e avaliação inicial. Quando houver necessidade de cuidado especializado em saúde mental, a equipe pode encaminhá-los a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferece acompanhamento multiprofissional.

Plataforma permite bloquear o acesso às apostas

Outra ferramenta disponível para prevenção e cuidado é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda. Por meio dela, o cidadão pode solicitar voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.

Para solicitar a autoexclusão, é necessário acessar a página da ferramenta e entrar com a conta gov.br.

A partir da solicitação, o sistema:

  • bloqueia, de uma só vez, as contas ativas nas plataformas autorizadas;
  • impede a abertura de novas contas com o CPF cadastrado; e
  • interrompe o envio de publicidade direcionada pelas empresas de apostas.

A plataforma também reúne conteúdos sobre jogo responsável, saúde mental e educação financeira, além de autotestes, cursos, materiais educativos e orientações sobre onde buscar atendimento no SUS.

Ao reunir recursos de proteção, informações e canais de atendimento, a plataforma ajuda a reconhecer situações de risco e facilita o acesso aos serviços públicos de saúde mental. (Com informações da Ag. Câmara e do Ministério da Saúde)

Carta Campinas

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