‘Afrontosa’, documentário sobre liderança trans de Campinas, estreia no Festival de Gramado

(foto coraci ruiz – divulgação)

O documentário “Afrontosa”, produzido pelo Laboratório Cisco, de Campinas, fará sua estreia oficial no 54º Festival de Cinema de Gramado. Dirigido por Coraci Ruiz e Julio Matos, o longa acompanha a trajetória de Suzy Santos, mulher trans, preta e periférica, que saiu das ruas e se tornou uma das principais lideranças pelos direitos das pessoas LGBTQIAPN+ e no enfrentamento à transfobia. A sessão dentro da mostra competitiva, está marcada para o dia 19 de agosto, com a presença dos diretores, da protagonista e da equipe do filme.

Ex-usuária de programas sociais, Suzy se tornou gestora e hoje trabalha como redutora de danos no SUS. Em 2017, fundou a Casa Sem Preconceitos, espaço de acolhimento para pessoas trans em situação de vulnerabilidade. A aproximação dos cineastas com sua história começou em 2021, quando conheceram de perto sua atuação comunitária, e o documentário tem como recorte o ano de 2024, quando Suzy decidiu levar sua atuação para o campo político e disputar uma cadeira na Câmara Municipal de Campinas.

O encontro com a temática LGBTQIAPN+, especialmente as relacionadas à população trans, já fazia parte da vivência pessoal dos diretores. “Afrontosa” fecha uma trilogia iniciada com “Limiar” (2020). O documentário, autobiográfico, acompanha as experiências da diretora diante da transição de gênero de seu filho adolescente entre 2016 e 2019.

Exibido em mais de 80 festivais, vencedor de 22 prêmios após estrear no festival canadense Hot Docs, “Limiar” foi seguido por “Germino Pétalas no Asfalto” (2022), que conta a história de Jack, que inicia seu processo de transição em um momento de mudanças também no Brasil, em meio à pandemia e à ascensão da extrema direita e do conservadorismo. O filme foi lançado na Mostra de Cinema de Tiradentes e premiado 15 vezes em circuitos nacionais e internacionais.

Em “Afrontosa”, os diretores mostram, com a trajetória de Suzy, as contradições de uma Campinas marcada, ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento econômico e por fortes traços de conservadorismo, os desafios enfrentados pela população trans e a importância das redes de acolhimento e resistência construídas por lideranças comunitárias.

Antes de chegar às telas de Gramado e aos cinemas brasileiros, com distribuição da Cajuína Audiovisual, o filme já conquistou espaços internacionais. Em 2025os diretores fizeram parte da comitiva brasileira e participaram do Cannes Docs, programa voltado a documentários em desenvolvimento dentro do Marché du Film do Festival de Cannes. O longa também participou de laboratórios de desenvolvimento no Brasil, Argentina e Chile, além de receber apoio da AltérCine Foundation, do Canadá, e recursos da Lei Paulo Gustavo.

A seleção para o Festival de Gramado representa mais um marco na trajetória do Laboratório Cisco, que vem consolidando sua presença no circuito audiovisual nacional e internacional, com obras exibidas e premiadas em diversos países e parcerias com instituições como Canal Futura, TV Cultura, TV Sesc e o British Film Institute (BFI). (Com informações de divulgação)


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