
Após dois meses de programação gratuita que reuniu mais de 200 artistas de diferentes linguagens no Centro de Convivência Cultural de Campinas, o Festival Artes pela Paz chega ao fim neste fim de semana, dias 26 e 27 de junho (sexta e sábado), com uma programação que sintetiza a proposta do evento: fazer da arte um instrumento de diálogo, convivência e construção da Cultura de Paz.
Ao longo do festival, o público participou de shows, espetáculos, exposições, oficinas, vivências e rodas de conversa, em uma programação que reuniu artistas, educadores, pesquisadores, estudantes e coletivos culturais em torno de reflexões sobre paz, diversidade, direitos humanos e transformação social.
A programação de encerramento começa na sexta-feira (26), às 20h, na Sala Luís Otávio Burnier, com uma noite dedicada ao audiovisual. Serão exibidos três trabalhos produzidos especialmente para o festival ou desenvolvidos a partir de suas ações formativas.
O principal destaque é a estreia do documentário “A Sintonia do Silêncio”, dirigido por Gabi Perissinotto e produzido pela ATAURI Produções. Em vez de registrar o festival de maneira institucional, o filme propõe uma experiência sensível sobre a transformação do tempo e da percepção provocada pela arte. A narrativa parte do ritmo acelerado da cidade para revelar os momentos de pausa, encontro e escuta compartilhada que emergem durante o Festival Artes pela Paz, mostrando a paz como uma construção coletiva capaz de reorganizar silenciosamente a forma de existir.
Também integra a sessão a videoarte “Flotilha Cênica Campinas-Gaza”, idealizada por Ângela Nagai e dirigida em parceria com Murilo Ferrari. Inspirada na Global Sumud Flotilla, a obra transforma barcos alegóricos, dança, teatro, espiritualidade e diferentes manifestações culturais em uma travessia simbólica em defesa da vida. A produção utiliza a linguagem da videoarte para refletir sobre guerras, genocídios e a necessidade de resistir à naturalização da violência por meio da criação artística.
A programação audiovisual será concluída com a exibição de “Câmeras para a Paz“, produção coletiva desenvolvida por participantes da Oficina de Audiovisual para a Paz. O vídeo reúne duas narrativas ficcionais sobre desinformação, preconceito e relações humanas, além de registrar os bastidores do processo criativo realizado por estudantes das escolas municipais CEMEFEJA Paulo Freire e CEMEFEJA Prof. Sergio Rossini. Após a exibição, os jovens realizadores conversarão com o público sobre o processo de criação e o papel do audiovisual como ferramenta de reflexão e transformação social.
Grande celebração coletiva encerra o festival
No sábado (27), às 10h, o Teatro de Arena do Centro de Convivência recebe a ação de encerramento “Correnteza da Paz e Dança Circular”, uma grande criação coletiva que reunirá aproximadamente 200 participantes entre artistas, músicos, atores, grupos de dança, percussionistas, estudantes da rede municipal de ensino e o público.
A proposta transforma o espaço em um grande encontro de convivência, integrando música, teatro, poesia, cortejo, percussão e danças circulares em uma celebração aberta à participação popular.
Concebida por Marcos Brytto, a ação utiliza imagens simbólicas das águas, jangadas, flores, pássaros e estrelas para construir uma narrativa sobre pertencimento, solidariedade e esperança. O percurso artístico culmina em uma grande roda de Dança Circular conduzida por Mairany Gabriel, da Raízes e Matrizes Eventos Culturais, reunindo artistas, crianças e espectadores em uma experiência coletiva.
Segundo o organizador do festival, Célio Turino, a proposta é reafirmar a paz como prática cotidiana construída por meio dos encontros.
“A paz nasce no gesto que desacelera o medo e devolve sentido ao comum. A Correnteza da Paz é um convite para que todos façam parte dessa corrente simbólica que desemboca em uma grande roda, onde ninguém ocupa o centro sozinho e ninguém fica para trás”, afirma.
A participação das crianças foi construída em parceria com as escolas municipais EMEFEI Padre Francisco Silva e EMEF Padre Domingos Zatti, que desenvolveram atividades de Danças Circulares ao longo do processo preparatório.
Para Mairany Gabriel, responsável pela condução da atividade, a prática vai além da dança.
“As Danças Circulares ensinam convivência. Elas mostram que cada pessoa tem seu ritmo, mas todos podem construir juntos um novo movimento coletivo. Na escola, fortalecem o respeito, a cooperação, a empatia e a cultura de paz”, destaca.
Encerrando dois meses de intensa programação cultural, o Festival Artes pela Paz reafirma o papel da arte como espaço de encontro, escuta e participação cidadã, reunindo diferentes gerações e linguagens artísticas em torno da construção coletiva de uma cultura de paz.
SERVIÇO
Festival Artes pela Paz – Programação de Encerramento
Apresentação Audiovisual
26 de junho (sexta-feira)
20h
Sala Luís Otávio Burnier – Centro de Convivência Cultural de Campinas
Exibição de:
- A Sintonia do Silêncio (documentário)
- Flotilha Cênica Campinas-Gaza (videoarte)
- Câmeras para a Paz (produção da Oficina de Audiovisual para a Paz)
Entrada gratuita. Não é necessário retirar ingressos.
Correnteza da Paz e Dança Circular
27 de junho (sábado)
10h
Teatro de Arena – Centro de Convivência Cultural de Campinas
Grande criação coletiva com cerca de 200 participantes entre artistas, coletivos culturais, estudantes da rede municipal e participação do público.
Entrada gratuita. Não é necessário retirar ingressos.
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