
Trabalhadores da educação, entidades representativas e apoiadores da escola pública realizam nesta terça-feira, 23 de junho, uma manifestação em frente ao Paço Municipal de Campinas, na Avenida Anchieta, a partir das 17h30. O ato é convocado em defesa da educação pública democrática, da autonomia pedagógica das escolas e da valorização dos profissionais da rede municipal de ensino.
Os organizadores denunciam um processo de centralização administrativa, enfraquecimento da gestão democrática e avanço de políticas de privatização e terceirização na educação municipal. Segundo os movimentos, as medidas adotadas pela secretária municipal de Educação do governo Dário Saadi (Republicanos), Patrícia Adolf Lutz, seguem diretrizes semelhantes às implementadas pelo governo paulista de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo secretário estadual Renato Feder.
A mobilização ocorre poucas semanas após outro protesto realizado em frente à Prefeitura e reúne reivindicações relacionadas às condições de trabalho, à valorização dos profissionais da educação e à participação da comunidade escolar nas decisões pedagógicas da rede.
A vereadora Fernanda Souto (PSOL) afirma que professores, agentes de educação infantil, monitoras e equipes gestoras seguem cobrando melhorias nas condições de trabalho e maior diálogo com a administração municipal. Segundo ela, a categoria também reivindica o enquadramento das agentes e monitoras na carreira do Magistério.
Denúncia ao MP
A parlamentar critica ainda a condução da Secretaria de Educação e anunciou o encaminhamento de denúncia ao Ministério Público para apuração da compra de livros que, segundo ela, teria ultrapassado R$ 12 milhões sem licitação e sem apresentação de projeto pedagógico.
A vereadora Guida Calixto (PT) afirma que a educação pública não pode ser tratada como mercadoria e critica o que considera uma tentativa de reproduzir em Campinas políticas de reorganização e redução da participação da comunidade escolar semelhantes às adotadas pelo governo estadual.
O debate sobre os rumos da educação municipal se intensificou desde outubro de 2025, quando Patrícia Adolf Lutz assumiu a Secretaria de Educação. Entidades e trabalhadores apontam mudanças na estrutura de gestão da rede e alegam redução dos espaços de participação de gestores, coordenadores e professores nos processos de decisão.
Em carta, a Associação dos Supervisores, Diretores, Orientadores Pedagógicos e Coordenadores Educacionais Municipais de Campinas (Assemec) manifestou preocupação com alterações que, segundo a entidade, comprometem princípios de gestão democrática previstos na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Entre os pontos citados estão o encerramento de instâncias consultivas, restrições a espaços coletivos de discussão e mudanças nos canais de comunicação entre escolas e Secretaria.
Também são alvo de críticas a adoção de avaliações padronizadas realizadas por plataformas digitais e a interrupção do processo de revisão das Diretrizes Curriculares Municipais, trabalho que vinha sendo desenvolvido por profissionais da própria rede desde 2024. Educadores argumentam que a diversidade dos territórios atendidos pelas escolas municipais exige propostas pedagógicas construídas de forma participativa e adequadas às diferentes realidades da cidade.
Outro tema que tem gerado questionamentos envolve a contratação de consultorias externas para atividades relacionadas à formulação curricular. De acordo com informações divulgadas pela Rede Minha Campinas, contratos firmados sem licitação para esse tipo de serviço somam mais de R$ 5,1 milhões.
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