Categories: Economia Política

Empresa adota jornada de 4 dias, agrada funcionários e aumenta o lucro

(foto paulo pinto – ag brasil)

Enquanto a sociedade brasileira e o Congresso Nacional discutem o fim da escala de seis dias de trabalho para um dia de folga (6×1) na legislação do país, uma escola de baristas e gestão de cafeterias da capital paulista mudou sua escala para quatro dias de trabalho e três de descanso (4×3) e viu seu faturamento crescer 35% em um ano.

A Coffe Lab, empresa fundada em 2004, que conta atualmente com duas unidades e mais de 30 funcionários, apostou na produtividade em vez de pesar no número de horas trabalhadas pelos funcionários.

De acordo com a empresária e fundadora da Coffe Lab, a torrefadora Isabela Raposeiras, a experiência de redução de jornada, iniciada em 2025 na escola, demonstra que o descanso dos funcionários resulta em maior concentração no trabalho e em aumento da produtividade e faturamento.

“A produtividade aumentou barbaramente. Porque, no ano passado, em 2025, a gente trabalhou com o mesmo cardápio e preço durante o ano inteiro. A gente ficou 17 dias fechados em função de uma obra e não aumentou o número de lugares. Continuamos com as duas lojas e o mesmo número de lugares. E o nosso faturamento em 2025 subiu 35% em um ano em que o setor de alimentação caiu 22%”, disse.

A escola trabalhava em sistema 5×2 e 44 horas de trabalho semanais. Em julho do ano passado, em acordo com os funcionários, adotou a escala 4×3 e 40 horas semanais de trabalho. São três folgas semanais, sendo duas em dias consecutivos.

“A galera [os funcionários da empresa] está mais descansada. Nesse ramo de comércio, de alimentação, principalmente hotelaria, a concentração, a atenção, é muito importante para a gente vender mais. Então, a galera descansada, feliz com vida para além do trabalho, rende muito mais, atende melhor”, destacou.

Rotatividade de funcionários
Além do aumento da produtividade, a empresária viu diminuir a rotatividade dos funcionários e reduziu os custos trabalhistas.

“A gente está com turnover [taxa de rotatividade] ridículo de 8% só. Você não gasta mais com rescisão – que é uma coisa caríssima – por mais que o funcionário peça demissão, a rescisão e os encargos rescisórios são altos”, disse.

Segundo ela, com trabalhadores mais cansados, a desmotivação é maior, as demissões aumentam e a contratação de empregados temporários cresce também.

“Aqui a gente não tem que contratar frila [do inglês freelancer, trabalhador pontual, sem vínculo empregatício]. No Coffee Lab, a gente não contrata frila quase nunca, porque as pessoas não faltam mais, não tem mais atestado. Isso diminui muito o custo e aumenta a capacidade de venda, porque todo mundo que trabalha lá conhece bem a empresa, não tem ninguém muito novo”.

Descanso e lazer
Tábata Lima de Oliveira, de 35 anos, funcionária da Coffee Lab, conta que antes de entrar na empresa, trabalhava na escala 6×1, e que utilizava a única folga semanal principalmente para descansar.

“Praticamente, eu dormia o meu dia [de folga] inteiro. Não conseguia sair, raramente saía, raramente tinha disposição para estudar. Tempo com a família? Muito pouco, inclusive, hoje em dia me considero uma pessoa super distante da minha família por isso. O tempo que eu tinha era só para descansar, dormir e fazer os afazeres de casa”, destacou.

De acordo com ela, os maiores problemas causados pela escala 6×1 eram principalmente de ordem da saúde mental.

“Eu já tive [síndrome de] Burnout em um trabalho anterior. Além de tudo, eu não dormia, tinha que ir trabalhar e tomava muita medicação, sentia muito sono durante o trabalho, e tinha muitas crises de pânico”.

Já na escala 4×3, a funcionária viu possibilidade de se cuidar, de ter lazer, e até viajar: “É menos tempo no transporte, menos dias no transporte público. Mais tempo de descanso, de cuidar de mim mesma, cuidar da minha cabeça, de ter lazer e de cuidar da minha própria casa”.

“Agora consigo me dedicar à minha saúde, aos meus estudos, aos amigos próximos e até fazer viagens quando a gente tem as três folguinhas seguidas”, acrescentou. (Bruno Bocchini – Ag. Brasil)

Carta Campinas

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