
ADunicamp, o STU e o DCE denunciam episódios de intimidação, violência política e ameaças ocorridos na madrugada do dia 27 de maio, no campus da Universidade, contra estudantes em greve em ofício conjunto enviado ao reitor da Unicamp, professor Paulo Cesar Montagner, nesta quinta-feira, 28 de maio.
A ADunicamp, o STU e o DCE pedem a apuração rigorosa dos fatos e a punição dos responsáveis, declaradamente ligados à organização de extrema-direita MBL (Movimento Brasil Livre) e que agiram sob o comando do pré-candidato a deputado estadual Matheus Pereira.
Além das entidades e da própria Unicamp, o ator Paulo Betti gravou um vídeo condenando a ação de extremistas de direita. “Manifesto meu repúdio à ação violenta e intimidatória de natureza política e ideológica contra os estudantes do Instituto de Artes, ocorrida na madrugada do dia 27/05/2026, no prédio do Ciclo Básico II. Unicamp Cidade Universitária – Campinas. O movimento estudantil, de maneira organizada e pacífica, tem exercido seu direito à greve e lutado pela melhoria do ensino público no nosso estado. Reconhecida por sua excelência acadêmica, a Universidade Estadual de Campinas tem contribuído ao longo de sua história para o desenvolvimento científico e social brasileiro, bem como para a construção de uma sociedade mais igualitária e democrática”, afirmou. (Veja vídeo abaixo)
A Reitoria da Unicamp também repudiou a ação dos extremistas de direita. “A instituição reitera que episódios de invasão, filmagens não autorizadas e atos que comprometam a segurança e a integridade física de alunos, docentes e funcionários são intoleráveis. Tais condutas representam uma afronta à autonomia universitária, à convivência democrática e ao livre exercício do debate acadêmico que norteiam esta Universidade”, afirmou a em nota a Reitoria.
As agressões, relatadas no documento, foram registradas no Boletim de Ocorrência IA5218-1/2026, lavrado no Plantão do 4º Distrito Policial de Campinas. De acordo com o relato, os integrantes do grupo utilizaram megafone para dirigir insultos aos estudantes, chamando-os de “vagabundos”, “desocupados” e “covardes”. Ainda segundo o texto, houve empurrões, gravações em vídeo para divulgação em redes sociais e ações que, na avaliação das entidades, tiveram o objetivo de “criar um ambiente de terror e desestabilização política dentro da Universidade”.
O documento destaca ainda um episódio classificado como “particularmente revoltante”, envolvendo um estudante com mobilidade reduzida, usuário de cadeira de rodas. Conforme o boletim, o estudante teria sido alvo de deboche e ameaças. Entre as frases relatadas estão: “Agora tem até cadeirante na greve” e “Tá querendo ficar com a outra perna ruim também?”.
No texto encaminhado à Reitoria, ADunicamp, STU e DCE afirmam repudiar “de forma absoluta a escalada de práticas de intimidação política promovidas por grupos organizados de extrema direita” e sustentam que a universidade pública não pode ser transformada em “palco para milícias políticas, assédio ideológico ou ações de provocação destinadas a constranger o legítimo direito de organização, manifestação e greve”.
As entidades também cobram providências institucionais para garantir a segurança da comunidade universitária mobilizada e pedem acompanhamento rigoroso das investigações pelas autoridades competentes. Entre as reivindicações apresentadas estão a apuração dos fatos relatados no boletim de ocorrência, a responsabilização civil e criminal dos envolvidos, garantias de proteção à comunidade universitária e ações efetivas da Reitoria da Unicamp sobre os episódios ocorridos no campus.
O ofício reafirma ainda que “greve, organização estudantil e manifestação política são direitos democráticos assegurados constitucionalmente” e manifesta solidariedade aos estudantes atingidos pelas agressões e ameaças. (LEIA O OFÍCIO AQUI)
Veja a manifestação de Paulo Betti
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