A exposição “Na Flor da Pele”, da artista visual Joy Kali, será aberta nesta quinta-feira, 12 de março, às 19h, no espaço Rabeca Cultural, em Sousas, Campinas. A mostra reúne 18 obras que combinam colagem, pintura e desenho em uma investigação visual sobre o corpo e seus processos de transformação, e poderá ser visitada até 11 de abril.
A artista trabalha a partir de sobreposições, recortes e intervenções pictóricas que deslocam a imagem fotográfica de um registro documental para um campo mais simbólico e experimental. Fragmentos corporais, marcas, texturas e elementos ligados ao universo biológico, como peles de cobras, aparecem nas composições como sinais de um corpo entendido não como forma fixa, mas como território em constante mudança.
A presença recorrente de serpentes e referências a estruturas internas reforça uma poética marcada por contrastes, entre atração e desconforto, cuidado e risco, permanência e instabilidade. Parte da série foi desenvolvida durante um período em que a artista precisou interromper sua formação acadêmica em medicina veterinária após ter 50% do corpo queimado em um acidente doméstico, experiência que atravessa o trabalho ao deslocar métodos de observação e análise associados ao campo científico, como placas e diagramas, para o território da experimentação artística.
A trajetória de Joy Kali também inclui um período de estudos na França, quando teve contato direto com obras em museus e instituições culturais. Essa experiência influenciou seu interesse pela materialidade da imagem e pelos processos da pintura presentes na série.
Sem seguir uma narrativa linear, as obras se organizam em camadas de observação, nas quais repetição e acúmulo funcionam como estratégias visuais. Nesse contexto, a colagem aparece não apenas como técnica, mas como princípio conceitual: imagens são desmontadas e reorganizadas, evidenciando o processo como parte fundamental da criação.
Nascida em Vinhedo em 1993, Joy Kali desenvolve sua produção entre pintura, desenho e objetos, articulando referências da biologia, da ciência e da ancestralidade como campos simbólicos para pensar o corpo e suas transformações. Em sua obra, elementos associados ao universo científico convivem com atmosferas e gestos que remetem a imaginários ritualísticos.
A ancestralidade marroquina também aparece como referência em sua produção, evocando padrões e cromatismos que remetem à pintura moderna, especialmente com a obra “A Marroquina”, de Henri Matisse, sem assumir um caráter de citação direta.
Entre o rigor analítico e a materialidade sensível da pintura, a artista constrói um trabalho que se afirma menos como representação e mais como experiência, convidando o público a observar o corpo, o gesto e o tempo inscritos na matéria. (Com informações de divulgação)
Serviço
Data: abertura 12 de março de 2026 (quinta-feira)
Horário: 19h
Visitação: até 11 de abril de segunda à sexta-feira das 9h às 12h e das 14h às 17h, aos sábados das 9h às 12h ou com agendamento prévio
Local: Rabeca Cultural
Endereço: Av. Dona Maria Franco Salgado, 250, Jardim Atibaia, Sousas, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita
Mais informações: (19) 99720-6186
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