
Quem caminha pelo Centro de Campinas vê que, em meio ao vaivém intenso de pessoas, automóveis e ônibus, a paisagem urbana ganhou novas cores, formas e significados. Paredes laterais livres de prédios, sem janelas, as chamadas “empenas”, se tornaram telas gigantes, recebendo obras de arte urbana que transformam o concreto em expressão cultural.
Ao todo, quatro empenas com murais artísticos se destacam na região central, três na Avenida Francisco Glicério e uma na Avenida Moraes Sales. As obras, assinadas por diferentes artistas, compõem um circuito de arte acessível a todos e integrado à rotina urbana.
Afeto no concreto
Uma das obras do Centro é “Afeto e Confiança”, da artista Gim Martins. O mural, na Avenida Francisco Glicério, representa sentimentos essenciais para a convivência coletiva e propõe uma pausa sensível no cotidiano acelerado do Centro.
A escolha das cores e das formas reforça a proposta de humanizar a paisagem urbana ao convidar o público a refletir sobre relações, cuidado e empatia em meio à correria diária.
Céu de Andorinhas
Também na avenida, está “Sob um Céu de Andorinhas”, produzida pela equipe da artista Estela Luz. O mural ocupa a parede lateral de um hotel de 12 andares em plena Glicério e foi executado exclusivamente por mulheres.
A pintura, que passa dos 30 metros de altura, exigiu preparo técnico e protocolos rigorosos de segurança. As artistas usaram equipamentos específicos e passaram por cursos de trabalho em altura. O resultado é uma obra que alia delicadeza e força, levando movimento e leveza para uma das avenidas mais movimentadas da cidade.

Questões fundamentais
Outra empena localizada na Glicério leva a assinatura do artista Maicongo. Intitulada “Raiz Fundamental”, a obra chama a atenção para aquilo que o artista define como “questões fundamentais” para a vida em sociedade.
O mural aborda temas como a valorização dos livros, do conhecimento e o respeito às ancestralidades, numa conexão entre passado, presente e futuro. A obra se impõe visualmente e, ao mesmo tempo, convida a pensar sobre identidade, educação e pertencimento.

Carne de Caju
Na Avenida Moraes Sales, a parede-tela que abriga a obra “Carne de Caju”, do artista Fabiano Carriero, se soma a esse movimento de dar novos significados à paisagem urbana.
Realizada no segundo semestre de 2021, marca a primeira experiência do autor em uma empena, o que representa um passo importante em sua trajetória como muralista. Ao usar técnicas como pincel, rolo e stencil, além de tintas próprias para ambientes externos, Carriero criou um mural de grandes proporções e alto impacto visual.
Inspirada na música “Morena Tropicana”, de Alceu Valença e Vicente Barreto, a obra exalta a força e a importância da figura feminina e propõe novos padrões estéticos. (Com informações de divulgação)
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