Categories: Economia Política

Banco Master, fechado pela Polícia Federal, era o banco do Centrão

(imagem reprodução)

A Polícia Federal pode ter dado dois grandes golpes em gigantescos esquemas de corrupção que envolviam políticos de direita e extrema direita. Aliás, não há grande corrupção sem envolvimento do poder político. O resto é zé ruela.

O primeiro golpe foi a Operação Carbono Oculto que flagrou mega esquema de fraudes do PCC em conluio com empresários da Faria Lima em São Paulo. Antes, a polícia já havia mostrado a ligação do PCC com o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) de São Paulo. A situação ficou pior depois que Tarcísio mandou seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite (PP), mesmo partido de Arthur Lira, para relatar a proposta antifacção do governo Lula. Derrite foi escolhido a dedo para salvar o dinheiro da corrupção ao propor dificuldades para a apreensão de bens de organizações criminosas e enfraquecer a Polícia Federal, retirando fundos da PF. A ação de Derrite mostrou o tamanho do interesse da extrema direita e sua ligação com os setores financeiros do crime organizado.

Agora com a prisão de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, donos do Banco Master, a Polícia Federal atingiu o Banco ligado ao Centrão no Congresso Nacional, bloco de políticos fisiológicos de vários partidos de direta e extrema direita que coloca interesses pessoais e de poder acima de qualquer questão, inclusive da lei. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.

O jornalista Luís Costa Pinto mostrou que as ligações políticas de Daniel Vorcaro, principal acionista do Banco Master com o mundo político. Segundo o jornalista, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), são os principais “amigos” de Vorcaro na política.

“Vorcaro tem um laço muito estreito e muito grande com organizações políticas em Brasília. Os maiores amigos dele na política são Ciro Nogueira, presidente do PP, Antonio Rueda, presidente do União Brasil e Arthur Lira, ex-presidente da Câmara”, disse Luís Costa Pinto.

Já sem condições de se sustentar financeiramente, foi criada uma articulação para a compra do Master pelo BRB com apoio de Ciro Nogueira, que levou Daniel Vorcaro para dentro do GDF( Governo do DF), comandado por Ibaneis Rocha (MDB). Ibaneis é o governador com ligações estreitas com o bolsonarismo, o ataque a Praça dos Três Poderes e a tentativa de golpe. Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro, era o Secretário de Segurança durante a tentativa de Golpe. Ele foi condenado a 24 anos de prisão. A ideia era evitar a liquidação judicial do Master, decretada agora pelo Banco Central.

A movimentação de salvamento teve uma ação com assinatura da direita e extrema direita, que foi uma articulação política do Centrão, envolvendo líderes de diversos partidos (como PP, União Brasil, Republicanos e PL), que assinaram um requerimento de urgência para acelerar a tramitação de um projeto de lei já existente, que data de 2021.

Além de Cláudio Cajado (PP-BA) e do Doutor Luizinho (PP-RJ), assinaram Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL), líder do MDB; Pedro Lucas Fernandes (União/MA), líder do União Brasil; Pedro Campos (PSB-PE), líder do PSB; Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), líder do PL; e Gilberto Abramo (Republicanos-MG), líder do Republicanos. Ou seja, a urgência teve as digitais de líderes de vários partidos de direita e extrema direita no Congresso. Era uma tentativa do Centrão para pressionar os diretores do Banco Central para salvar o Banco do Centrão.

O Banco do Centrão também foi protegido por Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro no Banco Central. Segundo a reportagem da Bloomberg, executivos do FGC — principal órgão responsável por proteger depositantes — enviaram diversas cartas de advertência ao Banco Central, enquanto dirigentes de grandes bancos, que financiam o fundo, também procuraram diretamente a autoridade monetária. Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que algumas dessas conversas foram feitas pessoalmente com o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, que teria prometido agir diante dos alertas.

Campos Neto deixou o comando da autarquia sem resolver a situação. A solução só acontece agora com Gabriel Galípolo, que vai administrar a liquidação bancária já acionada pelo FGC.

Carta Campinas

View Comments

Recent Posts

PUPA reúne performance e artes visuais na Sala dos Toninhos

(foto ju moretz - divulgação) O corpo como território de transformação. O casulo como lugar…

2 hours ago

Entre gestos e silêncios, Grupo Dançaberta percorre os ciclos da vida feminina em ‘Maré’

(foto josé maria - divulgação) O movimento das águas, a solidão e as mudanças que…

5 hours ago

Coral Zíper na Boca apresenta ‘Os Saltimbancos’ e ‘Wimbo Wa África’ no Convivência

(foto - divulgação) O Coral Unicamp Zíper na Boca apresenta o musical “Os Saltimbancos” e…

6 hours ago

Geraldo Alckmin participa de ato pela virada em Campinas nesta quarta-feira

(foto ricardo stuckert) A cinco dias do segundo turno, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) estará…

17 hours ago

Comédia autobiográfica ‘Meu Remédio’, com Mouhamed Harfouch, chega a Campinas

(foto gustavo de freitas - divulgação) As experiências de quem cresce entre culturas diferentes, os…

22 hours ago

‘O Sul é o Nosso Norte’ reúne 35 artistas em torno da arte como resistência às catástrofes

Detalhe de obra do artista João Botas (foto divulgação) “O que pode o artista diante…

22 hours ago