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Sala dos Toninhos recebe a exposição ‘Espiralando a Existência’, com seis artistas trans

(imagem divulgação)

A mostra reúne obras potentes de diferentes linguagens e técnicas, de cinco artistas trans e travestis, de diversas regiões do Brasil, atuantes na promoção da cultura e dos saberes ancestrais

Campinas recebe a partir deste sábado (14/06), na Sala dos Toninhos, às 14h, a abertura da exposição “Espiralando a Existência”, que integra o projeto “Transancestralidade: Criando Tecnologias e Estratégias de Sobrevivência”. A exposição ficará aberta à visitação pública gratuita, até o dia 28 de junho. O projeto é financiado por meio do edital ProAc 15/2024, FORTALECIMENTO DA CULTURA LGBTQIA+ da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do Governo do Estado de São Paulo.

Quem visitar a mostra vai conferir a potência do trabalho de seis artistas trans e travestis, de diversas regiões do Brasil, atuantes na promoção da cultura e dos saberes ancestrais. São obras que cruzam diversas linguagens e técnicas, que vão desde artes plásticas, artes mistas, esculturas capilares, pinturas e artes visuais até escritas poéticas e experimentais, arte têxtil e fotografias.

Mergulho sensorial

Inspirada nas reflexões da pesquisadora e dramaturga Leda Maria Martins, a exposição “Espiralando a Existência” propõe um mergulho sensorial e simbólico na relação entre corpo, memória e ancestralidade.

A exposição parte da ideia do tempo espiralar, um conceito que desafia a linearidade cronológica imposta pelo pensamento ocidental. A espiral, como figura central dessa proposta, traduz um movimento contínuo de retorno e avanço, em que passado, presente e futuro coexistem e se manifestam no corpo e na arte. Dançar, tecer, pintar, escrever e narrar tornam-se formas de atualização da memória e ressignificação do tempo-território ancestral.

A iniciativa busca expandir horizontes e descentralizar saberes por meio de experiências artísticas e comunitárias. Segundo a coordenação geral do projeto, as artistas foram escolhidas não apenas com base na produção artística de cada uma, mas também pela potência de suas trajetórias e discursos.  

Portanto, o resultado, que vai ser conferido pelo público, é o ponto culminante de um processo coletivo de criação e escuta. Nasceu de encontros afetivos entre artistas trans e travestis que, além de produzirem arte, também criaram alianças e estratégias de resistência. 

Vivências plurais

A mostra reúne artistas residentes que fizeram parte do 1º Programa de Ativismo TRANS promovido pela Ateliê TRANSmoras. São pessoas trans e travestis que criam a partir de vivências plurais, memórias coletivas e de suas relações com os territórios que habitam. 

Suas práticas transitam entre o ritual e a performance, a denúncia e o afeto, a espiritualidade e o cotidiano. Uma aposta em processos que colocam o corpo como centralidade e veículo poético de transformação.

Itinerante

O projeto passou por três cidades do Estado de São Paulo: começou em São José dos Campos, com ações formativas e a exposição itinerante “Futuro que Nunca Chega”. Depois, seguiu para Assis, também com ações formativas e exposição itinerante “Passado que Nunca Passa”.

Por fim, em Campinas, onde foi realizada a residência artística, as primeiras mostras e oficinas abertas ao público e a exposição “Como é Possível Viver Simultaneamente Todas Essas Temporalidades?”, no Museu da Cidade. Agora, a exposição “Espiralando a Existência”, que encerra o projeto.

Quem são as (os) artistas:

Dorot Ruanne (ela/dela)

Multiartista paraibana, graduanda em Ciências Sociais (UFPB). Agente Territorial de Cultura pelo MinC na Paraíba, empreendedora da marca ADOROT, e Mãe Fundadora da Casa da Baixa Costura, coletiva e kiki house que faz da estética arma de empoderamento usando as tecnologias ballroom.

Baixa Costura é uma tecnologia de sobrevivência que valoriza o improviso, a criatividade e a sustentabilidade, é transmutar o lixo têxtil e criar possibilidades, sendo um contraponto à alta costura elitista, reafirmando as urgências socioambientais do sul global.

Daena Lee (ela/dela)

Graduada em licenciatura em artes visuais pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e pesquisadora do Núcleo Abantesma. Nascida em Taubaté e criada desde o nascimento em São José dos Campos, desde muito cedo teve contato com a arte, o artesanato e os costumes do povo valeparaibano, através da Casa de Cultura Chico Triste.

Em sua pesquisa a artista busca trazer questões do corpo, o emocional e a arte ativismo em seus trabalhos e explorar o seu eu e o meio, em uma tentativa de comunicar ao público, sobre suas questões identitárias, socioculturais e políticas, como uma forma de criar e levar os debates para outros espaços.

Nicolau (elu/delu ele/dele)

Artivista sobrevivente do sistema carcerário durante a pandemia, artista plástico capilar, engenheiro, poeta e escritor. Como artista capilar e plástico, realiza o estudo de estruturas, incorporação de tecnologias, resgate de estéticas, forças e métodos criativos ancestrais. Nicolau relembra, pesquisa e aplica técnicas ancestrais para a promoção de liberdade em todas as áreas de atuação. Pensando a circularidade da vida, atrela sua vivência à vivência dos seus ancestrais e pauta a real mudança das coisas com o decorrer do tempo.

Dentro de tudo isso, faz uso dessas facetas como meio para maquinar novas formas e tecnologias de sobrevivência, para um futuro livre e seguro.

Rafaela Correia (ela/dela)

Mulher trans de 27 anos, natural de Porto Velho (RO). Atualmente, é Agente Territorial de Cultura, cursa Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Rondônia e desenvolve projetos culturais e audiovisuais voltados para a comunidade LGBTQIAPN+ e a cultura amazônica.

Pela Lei Aldir Blanc, durante a pandemia, foi responsável pelo curta-metragem “Caipora” e pelo projeto “Festival das Bee: Online”. Além disso, por meio da Lei Paulo Gustavo, em 2025, realizará o curta documental “Rainhas do Madeira” e o projeto “III Orgulho com Local: Visibilidade Trans”.

A criação de narrativas visuais por meio da pesquisa e da elaboração de registros pessoais, sobrepostos a texturas, fundos e intervenções, com o objetivo de criar ficções. A matéria-prima do trabalho consiste em memórias e fotos de família, que serão transformadas em pesquisa.

Ronna Freitas (ela/dela)

Pesquisadora, professora e ativista transfeminista, mestra em Estudos da Linguagem e doutoranda em Letras. Fundamentada principalmente em epistemologias trans-travestis, com atuação artística e acadêmica multi/transdisciplinar, interessada principalmente em discussões sobre memória, ancestralidade e identidade trans-travesti brasileira. Com pesquisas localizadas nos campos da linguagem e epistemologias trans, passeia principalmente pelas discussões de memória, voltada principalmente para memórias trans brasileiras, mas também discussões de ancestralidade e identidade.

Quando:  sábado (14.06) 

Hora: às 14h

Local: Sala dos Toninhos (Av. Francisco Teodoro, 1050, Vila Industrial – atrás da Estação Cultura)

Entrada: gratuita 

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