Com ITR congelado há 40 anos, super-ricos do agronegócio não pagam impostos no Brasil

(imagem fredox carvalho – pxl)

Da RBA – Para a campanha Tributar os Super-Ricos, é preciso acabar com os privilégios tributários que beneficiam o agronegócio. Nesse sentido, as mais de 70 organizações sociais, entidades e sindicatos que compõem a campanha defendem a inclusão do Imposto Territorial Rural (ITR) nas discussões da reforma tributária.

Isso porque a arrecadação do ITR no Brasil representa menos de 0,1% da receita de tributos da União. E as alíquotas do imposto estão congeladas há mais de 40 anos. Assim, o país deixa de arrecadar R$ 14,3 bilhões a cada ano.

Para efeito de comparação, enquanto apenas a cidade de São Paulo arrecadou quase R$ 10 bilhões de IPTU em 2018, as mais de 5 milhões de propriedades rurais em todo o país arrecadaram somente R$ 1,5 bilhão, naquele mesmo ano. “Na terra do agro, praticamente não se paga imposto sobre terra”, destaca a campanha, em postagem nas redes sociais.

Um dos problemas é que a apuração do ITR é autodeclaratória. Assim, é o dono da terra que diz à Receita Federal o que tem no seu imóvel rural via Documento de Informação e Apuração do ITR (Diat). A principal informação declarada pelos contribuintes é o Valor da Terra Nua (VTN). Desse modo, o ITR incide somente sobre o VTN, não sobre o valor total do imóvel.

Além do baixíssimo recolhimento do ITR, o agronegócio conta com uma série de benefícios, como a isenção de tributos na produção voltada à exportação. “A soja recebe quase R$ 60 bilhões ao ano em renúncia fiscal, o dobro da cesta básica. Valor que financiaria quatro meses do bolsa família”, anota a campanha. Enquanto isso, o valor aproximado do PIB do agronegócio soma mais de R$ 2,6 trilhões.

Conta não fecha

Os privilégios aos super-ricos do agronegócio faz com que a conta dos imposto não feche. Com uma tributação mais justa, é possível garantir melhores serviços públicos, e todo o país ganha. Nesse sentido, a campanha comemorou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, nesta semana, do projeto que prevê a taxação de investimentos de pessoas físicas no exterior (offshores) e a antecipação de imposto nos chamados fundos de investimento exclusivos, também conhecidos como fundos dos “super-ricos”. A proposta vai agora ao Senado. (Da RBA)

Carta Campinas

Recent Posts

PEC Cavalo de Troia do grupo de Flávio Bolsonaro vai destruir o PIB e a vida das pessoas

(foto fernando frazão - ag brasil) A PEC 12/2026 como cavalo de Troia da precarização:…

12 hours ago

Lu Faccini apresenta o álbum Voa Noite, que traz diversidade de temas, ritmos e sonoridades

(imagem cibelle gaidus - divulgação reprodução) Primeiro trabalho solo do multiartista, compositor e produtor cultural…

23 hours ago

Documentário Brincar É Patrimônio reflete sobre brincadeiras de rua

(imagem reprodução) Exibição acontece no dia 9 de junho e destaca as brincadeiras tradicionais como…

2 days ago

Sion & Itamar Duo faz releitura instrumental da música brasileira e do jazz

Sion e Itamar Duo (imagem reprodução vídeo) O projeto Música ADu promove, na quinta-feira, 11…

2 days ago

Ex-deputado que ameaçou Lula e Dilma e atirou em policial recebe multa de 452 mil

O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que entrou de cabeça na extrema direita bolsonarista, deve ser…

2 days ago

Entidades defendem que pessoas também são patrimônio público

(imagem reprodução mundano grafite) As entidades de professores, servidores e estudantes de São Paulo defendem…

3 days ago