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Pesquisadora da UFMG é a quarta pessoa assassinada por jovem de extrema direita em Aracruz

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, Flávia Amboss Merçon Leonardo, de 38, foi a quarta vítima do ataque a duas escolas realizado por um adolescente de extrema direita, na sexta-feira (25) em Aracruz, no Espírito Santo. Recentemente, uma campanha responsabilizou o governo Bolsonaro pelas mortes por armas de fogo.

Veja nota de pesar da Equipe da UFMG

NOTA DE PESAR

(imagem reprodução)

Vimos manifestar nosso imenso pesar com o falecimento precoce da nossa querida pesquisadora do GESTA e egressa do PPGAN-UFMG, Flávia Amboss Merçon Leonardo, vítima do atentado neonazista em Aracruz, no Espírito Santo. Flávia conviveu conosco nos últimos 5 anos, período em que pudemos desfrutar de sua companhia franca, alegre, sagaz, atenciosa e dedicada. Acompanhamos de perto a produção de sua tese de doutorado em Antropologia, intitulada “Imprensados no tempo da crise: a gestão das afetações no desastre da Samarco (Vale e BHP Billiton) e a crise como contexto no território tradicionalmente ocupado na foz sul do rio Doce”. Foram anos de dedicação à pesquisa, da graduação ao doutorado, que, para além de refletir o desejo de saber, constituiu um compromisso político e ético de Flávia para com os pescadores artesanais e a vida dos afetados pela lama de Fundão na vila de Regência Augusta, no litoral do Espírito Santo. Somos gratas por termos compartilhado com Flávia as dificuldades, os sofrimentos, as angústias de viver e de pesquisar os terríveis efeitos do desastre sobre as comunidades de Regência e sobre tantas formas de vida; mas também por compartilharmos com ela pequenas alegrias cotidianas, como o sentimento de realização que advém da luta e da construção laboriosa e corajosa de um conhecimento sensível, compromissado com a defesa dos direitos e da vida.

Prestamos nossa solidariedade a todas as vítimas do atentado, a seus amigos e familiares, em especial ao Sr. Alexandre e à Sra. Grayce, pai e mãe de Flávia, e ao João Paulo, seu companheiro. Flávia era uma pessoa cheia de vida e de ideais, comprometida com as comunidades com as quais conviveu. Ela havia recém-cumprido, com brilho, uma etapa importante da sua formação profissional com a defesa da sua tese de doutorado. Estava cheia de planos e tinha a vida pela frente. Sua morte brutal, assim como as das demais vitimas, nos coloca diante das feridas abertas deste país, e nos convoca a todas e todos a refletirmos sobre os efeitos do culto ao ódio e à intolerância, e ao elogio de si por meio das armas.

Equipe GESTA-UFMG”.

Carta Campinas

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