Categories: Economia Política

Uma estratégia para o time Lula na reta final das eleições

Uma estratégia para a reta final

.Por Guilherme Scalzilli.

Metáfora futebolística, exagerando na prudência: o time de Lula está ganhando o jogo por um a zero, faltando poucos minutos para acabar. Suponhamos, por um arroubo de catastrofismo, que o empate dá o título ao adversário e que o juiz não é confiável.

(foto ricardo stuckert – il)

Se recuar, Lula toma sufoco e pode sofrer um revés fatal. Precisa manter a pressão no campo do bolsonarismo. Pouco importa não fazer gol, desde que impeça ou atrapalhe as jogadas alheias. De preferência mantendo a bola, isto é, a pauta dos debates eleitorais.

Defendendo, obviamente, os bolsonaristas não atacam. O esforço que seria usado com a disseminação de mentiras é canalizado para aliviar o desgaste de Bolsonaro. Afinal, ele não pode desperdiçar um mísero voto.

O lulismo não vencerá se jogar bonito, der “chutão” ou esperar o adversário. Quer dizer, respectivamente, com firulas conceituais nas bolhas progressistas, arroubos públicos desesperados e confiança nas instituições. Esse foi o esquema que perdeu em 2018.

Abafar as investidas do bolsonarismo exige tirá-lo do conforto, recuar seus atacantes. Isso equivale a surpreendê-lo, atuando nos espaços em que ele se julga mais seguro: páginas, grupos e perfis digitais de propaganda fascista e dos aliados de Bolsonaro.

O grau de fidelidade na polarização é quase total, mas ainda existem bolsonaristas inconvictos. Desde que os formadores de opinião se envolvam no esforço de preservá-los, o placar não muda. O tempo passa e Lula continua em vantagem.

Não vale a pena abusar de texto. A agressividade reforça a coesão bolsonarista e jargões democráticos não afetam sua demência. Fotos e vídeos são suficientes, no máximo com um chamado tipo “vejam isso”, “estou preocupada”, “não sei mais o que pensar”, etc.

Os ambientes possuem leques temáticos próprios. Os círculos religiosos são sensíveis a imagens de violência contra católicos, pedofilia, canibalismo. Nos “jornalísticos” cabem desemprego, arrocho, corrupção. Nos partidários, ameaças de golpe e sabotagem.

Também é importante divulgar conteúdo informativo legítimo, sem alterações. Tanto para afastar suspeitas de crime eleitoral quanto para ampliar o estrago e forçar respostas mais elaboradas. E ninguém precisa de “fake news” para desmascarar Bolsonaro.

Se cada militante der algumas dessas estocadas por dia em certos nichos bolsonaristas, as intervenções atingem números capazes de emperrar os avanços digitais de Bolsonaro. O volume importa, pois dá trabalho fiscalizar, bloquear e responder comentários.

Não faz sentido estratégico repetir os discursos propositivos que a campanha oficial de Lula já divulga, com alcance inigualável. A militância possui maneiras mais eficazes de aplicar sua ansiedade pré-eleitoral, sem correr riscos desnecessários. (Do scalzilliblogstpot)

Carta Campinas

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