Velhice não é doença
.Por Alexandre Padilha.
Como defensor dos direitos da população idosa, recebi com indignação a proposta sugerida por alguns especialistas da inclusão do termo “velhice” na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa determinação coloca o tempo de vida como diagnóstico de doença. Se a velhice passar a ser um código de doença, pode reforçar o estigma e o preconceito.
Essa resolução é contraditória ao que já determinou a OMS na Assembleia Geral do ano passado, onde estabeleceu o período de 2021 a 2030 como a “Década do Envelhecimento Saudável”. Propor que países, governos e profissionais de saúde se esforcem para prover o envelhecimento saudável de sua população, não pode considerar a velhice como doença.
Quando fui Ministro da Saúde, priorizamos e ampliamos os incentivos aos municípios para aplicação de políticas que estimulem o envelhecimento ativo e saudável como com as academias da saúde, melhor acesso aos medicamentos ao Farmácia Popular e a garantia de mais médicos aos atendimentos e acompanhamentos em saúde.
Essa determinação da OMS pode atrapalhar, inclusive, os dados nacionais de saúde. Por exemplo, na certidão de óbito, ao invés de investigar melhor qual o motivo da morte, será colocado velhice como causa. Não saber o motivo real do óbito impacta profundamente nas informações de saúde e políticas de prevenção.
Faço parte da Comissão de Direitos da Pessoa Idosa e da Comissão de Seguridade Social e Família na Câmara dos Deputados, tivemos audiências sobre o tema, e apresentei uma moção de louvor ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) que manifestou documento direcionado à OMS desaprovando e indicando ações contrárias à inclusão do termo. A moção foi aprovada na Comissão do Idoso.
Em um dos debates, um representante de uma associação de aposentados do estado de São Paulo, disse: “velhice não é uma perda, pelo contrário, é ganho. Ganho de experiência de vida e conhecimento”.
Infelizmente, neste momento, o Brasil governado por Bolsonaro não possui a legitimidade que tinha anteriormente e não tem condição de reverter essa posição, por isso temos que agir conjuntamente enquanto Congresso Nacional, sociedade civil e defender o posicionamento CNS, que é órgão máximo da saúde no Brasil, para que essa inclusão seja revista. O envelhecimento é uma conquista.
Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula, Ministro da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.
(foto divulgação) O Brasil entrou com força na disputa do Oscar 2026. O Agente Secreto foi indicado simultaneamente…
(foto joão maria - divulgação) Inspirado nas viagens oceânicas solitárias realizadas por Amyr e Tamara…
(foto adriana villar) Pelo menos 1.470 mulheres foram assassinadas de janeiro a dezembro no Brasil…
(foto ricardo stuckert - pr) O governo Lula (PT) devolveu integralmente as verbas de 2026…
(foto ricardo teck - divulgação) O espetáculo “Pudor em Chamas” será apresentado nesta sexta-feira, 23…
(foto gabi perissinotto - divulgação) O projeto Preta Rosa & Caju chega a todas as…