.Por Susiana Drapeau.

Esta semana foi um marco para o governo Bolsonaro. O governo está comemorando. Enfim, após dois anos de ofensiva contra todo o sistema de Educação do país, em todos os níveis, do ensino primário à universidade, com corte de recursos, corte de bolsas, redução de pesquisa, redução de investimento, aparelhamento, ideologização etc, o governo conquistou uma redução extraordinária nos inscritos para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que é a principal porta de entrada na universidade dos alunos de escolas públicas.

A redução, também conseguida pelas decisões erradas do governo durante a pandemia de Covid-19, é um marco também porque tem forte capacidade de aumentar a desigualdade social ao impedir que jovens mais pobres cheguem à universidade.

O projeto do governo Bolsonaro de aumento da desigualdade social, concentração de renda e destruição do acesso à Educação teve grande êxito em relação aos governo petistas. Em relação ao governo Dilma, por exemplo, o governo Bolsonaro conseguiu reduzir o número de inscritos no Enem em cerca de 66%. Enquanto o governo da petista chegou a levar cerca de 9 milhões de jovens ao Enem, Bolsonaro agora bate um novo recorde, reduzido para cerca de 3 milhões de inscritos.

Talvez nenhum governo, em 500 anos de história do Brasil, tenha conseguido retroceder tanto a educação em tão pouco tempo. Bolsonaro consegui jogar para fora do sonho do vestibular cerca de 6 milhões de jovens. Isso se não levar em conta nenhum potencial aumento populacional desde 2014. É uma marca impressionante. Veja imagem.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova de admissão à educação superior realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), autarquia vinculada ao Ministério da Educação do Brasil. É a porta de entrada na universidade de jovens pobres e de escolas públicas.

Criado em 1998, no governo Fernando Henrique (PSDB) para avaliar a qualidade do ensino médio no país, ele passou a dar acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras em 2004, após o ex-presidente Lula (PT) sancionar a lei do Programa Universidade para Todos (ProUni), e mais tarde, em janeiro de 2010, foi criado o Sistema de Seleção Unificada (SISU), durante o governo Dilma Rousseff (PT).

O Enem é o maior exame vestibular do Brasil e o segundo maior do mundo, atrás somente do Gāo Kǎo, o exame de admissão do ensino superior da República Popular da China.