.Por Susiana Drapeau.
Mais estarrecedor do que a chacina que matou 29 pessoas na comunidade de Jacarezinho no Rio de Janeiro foi a entrevista dos responsáveis e comandantes da operação. Eles disseram que tudo foi dentro da lei e da ordem e que, se houve problema, esse problema foi causado pela Suprema Corte, ou seja, pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A Polícia do Rio decretou oficialmente que a Constituição deles não é a mesma que existe no Brasil. Eles estabeleceram uma espécie de rito sumário e uma nova Constituição sem necessidade de Ministério Público, sem necessidade de Poder Judiciário e sem esse luxo de presença de advogados. Não há espaço para a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na Constituição da Polícia do Rio.
A Polícia não precisa do Ministério Público para acusar os supostos bandidos. Para que gastar milhões com a estrutura do Ministério Público se a Polícia do Rio pode fazer isso com ‘lealdade’ e rapidez, não é mesmo? Ela acusou os moradores mortos de serem bandidos e, assim, não precisa de MP para fazer isso. Na verdade, a Polícia usou o MP para se legitimar.
A Polícia do Rio não precisa do Poder Judiciário, dos juízes e desembargadores, para julgar as acusações feitas pela própria polícia do Rio. Para que gastar com a cara estrutura do Judiciário se a própria polícia pode decretar uma decisão judicial? A Polícia do Rio decretou que são bandidos e estabeleceu a pena no próprio local da ação.
Nessa nova Constituição, não há espaço para recursos. Para que recursos se a Polícia do Rio já decretou que são bandidos? Não é mesmo? Para que advogados? Para a Polícia do Rio, advogados são uma frescura civilizatória.
Mais que isso, de quebra, a Polícia do Rio disse que o Supremo Tribunal Federal (STF) está atrapalhando o combate ao crime. A Polícia do Rio decretou oficialmente, durante entrevista, o fim e a inutilidade do STF.
Mais que isso e de acordo com relatados de inúmeros moradores que presenciaram a chacina, a Polícia do Rio também anulou a Constituição Brasileira ao decretar que está vigorando a pena de morte pelo Estado. Ou seja, a polícia não só investiga, como acusa, julga e mata “dentro da Lei”. Foi isso que ficou claro nas entrevistas dadas pelos responsáveis pela operação em Jacarezinho e por relato de moradores que vivenciaram essa nova Era.
A diferença social é tão grande no Brasil que se criou um novo regime para os pobre. O Absolutismo Policial. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, defendeu a Polícia do Rio. Mas o governador faz parte de um outro setor da sociedade, nas camadas mais altas, onde há Poder Judiciário, Ministério Público, Advogados e há, veja só, uma Carta Magna escrita por representantes eleitos pela população.
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