.Por Marcelo de Mattos.
O magnífico texto “O intrépido que rasgou a multa”, de Ignácio de Loyola Brandão, publicado na imprensa, não apenas nos conforta como revela a ostentação blasé pequeno-burguesa por uma pretensa intelectualidade, tão à moda dos Brasis de carteiradas e currículos fakes: na retidão da conduta do GCM Cícero ante o ardil do Desembargador, nos traz a reflexão a propósito da ética da verdade e a mentira como mecanismo de ascensão social.
Em “O homem que sabia Javanês”, o admirável escritor Lima Barreto tece uma crítica à cultura oficial instada num Brasil dos bacharéis, parte deles intelectuais oportunistas, com carreiras construídas no logro. Na obra, o personagem Castelo chega à diplomacia através do falso artifício de domínio de uma língua exótica que desconhecia. Lima Barreto já nos denunciava um bacharelismo pátrio sem limites para o alcance de agraciada posição social.
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