Esquerda está sem projeto e sem futuro na área de mídia e tecnologia

Uma parte da esquerda ainda não entendeu – e talvez não esteja disposta a entender – que a grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. E que esse estado de inanição apenas reflete algo de fundo, que é uma falta de projeto e orientação para o futuro, diz especialista em tecnologia em reportagem de Rosana Pinheiro-Machado, no The Intercept Brasil.

(imagem gordon johnson – pl)

O entrevistado pondera que existem movimentos, mídias, ativistas, influenciadores digitais e parlamentares que se preocupam com o tema e têm grande impacto nas redes. “Não se trata de ignorar o trabalho daqueles que, há alguns anos, estão tentando mudar esse quadro”.

Mas para ele, “o ponto é meramente reconhecer que esses esforços não chegam perto de compor estrategicamente um ecossistema de atores que se movem, mais ou menos de forma coordenada, num processo de disputa política propriamente dito”.

Veja alguns trechos:

Acreditar que basta ganhar a eleição de 2022 para mudar o quadro catastrófico em que nos metemos faz parte do autoengano generalizado e sintomático que acomete a esquerda tradicional há quase uma década.

Não se trata de ignorar os muitos golpes que a esquerda e o PT, em particular, sofreram. Mas é preciso também entender que a extrema direita vem se articulando nas mídias desde a virada do milênio. E essa articulação tem sido feito com propósito, tentativa de coordenação de diferentes vertentes e sistematicamente espalhando paranoia e pânico moral contra inimigos forjados.

“Muitas pessoas pensam que basta acabar com o gabinete do ódio como se a rede bolsonarista fosse meramente uma estrutura de poder e financiamento vertical. A grande incompreensão é não entender que essa rede atua com suas próprias mídias e é muito mais autônoma, horizontal, autofinanciada do que se imagina”.

A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo. A luta comunicacional contra a extrema direita é inglória e assimétrica porque os fascistas atuam por mentiras que tocam no âmago no medo – e o medo é um sentimento que mobiliza os indivíduos visceralmente. Mas é possível entrar nessa batalha de forma honesta mudando o modus operandi.

Veja texto completo Aqui.

Recent Posts

108 cursos de medicina foram reprovados no Enamed e serão supervisionados pelo MEC

(foto fernando frazão - ag brasil) A primeira edição Exame Nacional de Avaliação da Formação…

13 hours ago

Comédia farsesca ‘Entre a Cruz e os Canibais’ revê o mito dos bandeirantes e as origens de São Paulo

(foto heloisa bortz - divulgação) Em São Paulo - O diretor e dramaturgo Marcos Damigo…

19 hours ago

Plataforma gratuita de streaming, Tela Brasil, será lançada neste semestre

(imagens divulgação) Concebida pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura em parceria com a…

1 day ago

Bloco Vermelho ganha as ruas com samba-enredo próprio no Carnaval 2026

(imagem divulgação) Pela primeira vez em sua história, o Bloco Vermelho, que foi criado em…

3 days ago

Cientista brasileiro nomeado para a OMS precisou de escolta armada durante o governo Bolsonaro

(foto fiocruz amazônia) O médico infectologista da Fiocruz, Marcus Vinicius Guimarães Lacerda, que foi nomeado…

3 days ago

Vem aí: Festival A Rua É Nóis vai ocupar a Estação Cultura com rap, funk, reggae e rock

Brunna, idealizadora do “O Funk Ensina" (foto reprodução - instagram) O Festival A Rua É…

4 days ago