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Embrapa desenvolve a primeira cenoura destinada ao cultivo orgânico e de pequenos produtores

Pequenos produtores e produtores orgânicos já podem ter uma nova cenoura para aumentar a produtividade. Batizada de cenoura BRS Paranoá, a planta é a primeira do mercado nacional desenvolvida e validada exclusivamente para a produção orgânica.

(foto agnaldo carvalho – div – emb)

Segundo o pesquisador Agnaldo Carvalho, da área de Melhoramento Genético da Embrapa Hortaliças (DF), a nova cenoura possui duas características fundamentais para a produção orgânica: a alta resistência à queima-das-folhas, principal doença da cultura, e o padrão de qualidade de raiz, com coloração laranja intensa, aspecto liso e formato bem cilíndrico.

A planta é uma uma variedade de polinização aberta (OP, do inglês open-pollinated) , ou seja, é obtida por livre polinização entre um grupo de indivíduos da mesma linhagem. Esse tipo de variedade é indicada para pequenos produtores porque as sementes colhidas na safra podem ser utilizadas no próximo plantio, gerando maior renda e segurança. Esse tipo de planta não é lucrativa para empresas privadas, que visam o lucro na venda das sementes anualmente. Por isso, foi desenvolvida por uma empresa pública de pesquisa, a Embrapa.

Segundo ele, as raízes da nova cultivar atendem também ao padrão comercial exigido pelo mercado consumidor: elas têm de 16 cm a 20 cm de comprimento e por volta de três centímetros de diâmetro. “Ou seja, não cabe mais o comentário sobre cenouras orgânicas serem pequenininhas. A BRS Paranoá tem uma raiz graúda e com ótima aparência visual”, garante o pesquisador.

No que se refere às doenças foliares – que estão entre os fatores mais limitantes para o cultivo de cenoura no Brasil, a cultivar BRS Paranoá destaca-se pela alta resistência ao complexo de bactérias e fungos causadores da queima-das-folhas, minimizando a necessidade de medidas de controle da doença na agricultura orgânica.

Mesmo diante de temperatura elevada e excesso de chuvas, condições típicas do verão, as raízes atingem o tamanho comercial desejável no momento da colheita, sem destruição da área foliar. “É importante salientar que, no mercado orgânico, a venda de raízes junto com as folhas ocorre com frequência. Portanto, a preservação da parte aérea livre de queima-das-folhas é fundamental para esse mercado”, afirma  Francisco Vilela, pesquisador da área de Fitotecnia e Agricultura Orgânica da Embrapa Hortaliças.

A BRS Paranoá atinge os mesmos patamares de produtividade e suporta a queima-das-folhas sem a necessidade de utilizar qualquer defensivo agrícola. “Ela alcança o período da colheita aos 90 dias após a semeadura, com desfolhação mínima e zero fungicida, diferentemente dos híbridos convencionais, cuja produção só é possível com a utilização de pesticidas”, explica Carvalho.

A nova cultivar também apresenta tolerância aos nematoides-das-galhas do gênero Meloidogyne, outro grave problema para a produção de cenoura, já que são microrganismos que habitam o solo e, por isso, prejudicam especialmente o aspecto da raiz, que é a parte comercializável da cenoura. Como a queima-das-folhas, a pressão dos nematoides é maior em períodos quentes e chuvosos, justamente quando os produtores obtêm os melhores preços no mercado.

A validação da cenoura BRS Paranoá ocorreu ao longo de vários anos, entre 2010 e 2016, em diferentes regiões produtoras do País, em especial nos estados de Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e no Distrito Federal.

Os testes abrangeram sistemas orgânicos tradicionais, propriedades em fase de transição agroecológica e sistemas de corredores agroecológicos, nos quais foram obtidas produtividades superiores àquelas alcançadas pelas cultivares de cenoura geralmente plantadas no sistema orgânico.

A nova variedade de cenoura é resultado do projeto “Desenvolvimento de cultivares de cenoura adaptadas ao cultivo de verão nas principais regiões produtoras do Brasil – Fase II”, executado pela Embrapa Hortaliças, empresa pública de pesquisa.

A tecnologia foi registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e também está protegida pelo Sistema Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).

Ainda neste primeiro semestre de 2020 será lançado edital de oferta pública de sementes da variedade para que empresas possam fazer o licenciamento da tecnologia e adquirir o direito de multiplicar e comercializar sementes. “Nosso principal objetivo é que empresas se interessem em produzir sementes de cultivares de cenoura livre de tratamentos químicos para que consigamos, assim, atender a demanda do setor produtivo por sementes orgânicas dessa hortaliça”, diz Carvalho. (Com informações de Paula Rodrigues/Embrapa)

Carta Campinas

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