‘Gego: a linha emancipada’ destaca desenhos, gravuras e têxteis, além das séries tridimensionais da arquiteta

Em São Paulo – Pode ser vista até o dia 1º de março de 2020 no MASP, Museu de Arte de São Paulo, a exposição “Gego: a linha emancipada”.

Gego, Chorros (Foto: William Suttle, Fundación Gego)

Gego (Gertrud Goldschmidt, Hamburgo, Alemanha, 1912–Caracas, Venezuela, 1994) estudou arquitetura e engenharia em Stuttgart; enfrentando o crescente antissemitismo no seu país de origem, ela migrou para a Venezuela em 1939, onde trabalhou como arquiteta. Foi apenas no início dos anos 50 que ela começou a sua carreira como artista, trabalhando primeiro em aquarelas, monotipias e xilogravuras, antes de passar para estruturas metálicas tridimensionais.

Trabalhando ao lado de um grupo de colegas que incluía Carlos Cruz Diez, Alejandro Otero e Jesús Soto, Gego tornou-se uma artista proeminente em abstração geométrica e arte cinética, movimentos alinhados com as vanguardas europeias do pré-guerra, que floresceram na Venezuela e América Latina, entre o final das décadas de 1940 e 1960. Ao longo da sua vida, ela preocupou-se em investigar três formas de sistemas: linhas paralelas, nós lineares e o efeito de paralaxe—pelo qual a forma de um objeto estático muda devido ao movimento da posição de observação do espectador. Ela explorou a relação entre linha, espaço e volume numa variedade de radicais esculturas sistemáticas em arame. Além disso, suas formas orgânicas, estruturas lineares e abstrações modulares abordavam metodicamente noções de transparência, energia, tensão, relação espacial e movimento óptico.

Esta exposição oferece um panorama cronológico e temático da obra da artista, do início dos anos 1950 ao início dos anos 1990, e inclui aproximadamente 150 trabalhos, que vão da escultura, aos desenhos, gravuras e têxteis. A exposição mostra a evolução da abordagem distintiva de Gego à abstração e destaca sua prática de desenho e gravura em diálogo com suas extraordinárias séries tridimensionais, incluindo esculturas vibracionais e cinéticas das décadas de 1950 e 1960: Chorros (1970–71), Reticuláreas cuadradas (1970–73), Columnas (1971), Columnas (Reticuláreas cuadradas) (1972), Troncos (1974–77), Dibujos sin papel (1976-88), Esferas (1976–77), e Bichitos/Bichos (1987–91).

A exposição evidencia as significativas contribuições formais e conceituais de Gego na arte moderna e contemporânea, destacando as suas interseções com os principais movimentos transnacionais de arte, incluindo abstração geométrica e a Arte Cinética das décadas de 1950–60, e o Minimalismo e o Pós-minimalismo das décadas de 1960–70. Além disso, a exposição faz referência à história sociocultural da América Latina e avança na compreensão e valorização do trabalho de Gego dentro de um contexto mais amplo do modernismo do século 20, como uma das principais figuras artísticas da segunda metade do século.

Gego: a linha emancipada é a primeira exposição retrospectiva dedicada à artista no Brasil e é co-organizada pelo MASP com o Museo Jumex, Cidade do México, Museu d’Art Contemporani de Barcelona e Tate Modern, Londres. 

A curadoria é de Pablo Léon de La Barra, curador-adjunto de arte latino-americana, MASP; Julieta González, diretora artística, Museo Jumex, Cidade do México, e Tanya Barson, curadora-chefe, Museu d’Art Contemporani de Barcelona (MACBA). (Carta Campinas com informações de divulgação)

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