.Por Susiana Drapeau.
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do Partido Social Cristão, usou um argumento falso, antiliberal e de linhagem fascista para justificar o assassinato de crianças no Rio de Janeiro provocado pelas ações da polícia.
Para Witzel, a culpa pela morte das crianças provocada pelas ações da polícia, comandada por ele mesmo, é do usuário de drogas.
Esse argumento enganador, espalhado no submundo da extrema-direita carioca, foi difundo pelo filme Tropa de Elite, do diretor José Padilha, que apoiou a eleição de Bolsonaro.
No filme, o diretor pôs a culpa da violência das drogas num dos países mais desiguais e violentos do mundo, no usuário, mas especificamente em um jovem ‘drogadito’ de classe média e universitário, o que também ajudou na geração de todo um ódio contra estudantes universitários e contra a própria universidade e a produção da ciência.
No resumo da película fascista de José Padilha, os policiais corruptos que trabalham e se associam aos traficantes, juízes que libertam traficantes por propina, senadores que transportam as drogas, banqueiros que lavam o dinheiro são, na realidade, as vítimas do tráfico junto com o policial idealizado e mítico de honestidade inabalável. Esses todos são levados ao tráfico pelo estudante de classe média, o grande culpado. Sem contar a legislação sobre drogas.
O personagem do ator André Ramiro é o responsável que difusão do argumento fascista na película que esvazia a culpabilidade dos operadores, da desigualdade e da história do Brasil. O diretor mata o pensamento liberal em favor de um pensamento fascista e, para disfarçar de forma cínica, usa um relativismo infantil e amador ao citar o filósofo Michel Foucault.
Não precisou ser um especialista em direito para desmascarar o argumento do governador do Rio baseado no filme Tropa de Elite. O cantor Leo Jaime rebateu as declarações do governador do Rio de Janeiro em rede social de forma muito simples.
“Sr. Governador, fuma-se maconha em quase todas as cidades do mundo. Mortes de crianças por balas perdidas, porém, é um fenômeno comum só na cidade do Rio de Janeiro. Tem certeza de que a razão disto é o maconheiro? Caso concorde: é só o maconheiro? Nada além do maconheiro?”, escreveu Leo Jaime.
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