Juízes e desembargadores vendem sentenças para libertar criminosos em 11 tribunais

A reportagem do The Intercept Brasil desta segunda-feira (30) revelou um lucrativo mercado de venda de sentenças envolvendo juízes e desembargadores em pelo menos nove tribunais estaduais e três federais do país. A partir de levantamento feito junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Lei de Acesso à Informação, a reportagem chegou a 21 casos de vendas de sentenças com valores que vão de R$ 750 a R$ 400 mil.

(foto jose cruz – ag brasil)

De acordo com o levantamento, sete juízes e 14 desembargadores foram condenados por tal ilegalidade no Brasil. Há ainda outros 13 casos em que os relatores dos processos não deixam claro que o magistrado recebeu dinheiro em troca de uma decisão, mas há fortes indícios de que isso tenha ocorrido. Tocantins, Bahia e o Ceará são os estados campeões, com têm quatro casos cada um.

A sentença mais cara foi cobrada pelo desembargador Rubem Dário Peregrino Cunha, do Tribunal de Justiça da Bahia: R$ 400 mil. A compra foi feita pelo então prefeito de São Francisco do Conde, Antônio Pascoal Batista (PDT), em 2007. Ele havia sido denunciado pelo Ministério Público do estado por roubar cerca de R$ 1,5 milhão da prefeitura e corria o risco de ser preso. O processo encaminhado ao gabinete do desembargador Cunha, que, além do dinheiro, ainda pediu um cargo para a namorada do filho

Enquanto em São Francisco do Conde a sentença era salgada e de acesso a poucos, em Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, o juiz José Dantas de Lira se contentava em receber R$ 750 por liminar, valor ainda dividido com outras cinco pessoas. O negócio funcionava no atacado e, em seis meses, Lira concedeu 22 liminares a apenas três pessoas.

Somente de 2007 a 2009, o Ministério Público do Rio Grande do Norte descobriu que foram movimentados mais de R$ 3 milhões na conta de um dos envolvidos no esquema. Lira foi condenado em 2017 a aposentadoria compulsória, punição mais grave que o CNJ pode aplicar aos magistrados.

Encarregados de fiscalizar e garantir o trabalho dos outros magistrados, pelo menos dois corregedores também foram envolvidos no “mercado de sentenças”. Jovaldo dos Santos Aguiar, corregedor do Tribunal de Justiça do Amazonas, foi afastado após ser denunciado por um empresário e advogado que pagou, mas não recebeu a decisão negociada.Já o desembargador Antônio Fernando Guimarães, do TRT de Minas Gerais, deixou o escritório de advocacia que trabalhava “subsidiasse” o aluguel de seu apartamento. Guimarães passou dez anos pagando R$ 200 reais por um apartamento de luxo em Lourdes, um dos bairros mais caros de Belo Horizonte. Em troca, o escritório Vilhena&Vilhena tinha a segurança de contar com a mão amiga do magistrado. (Da Revista Fórum)

Link do The Intercept Brasil

Recent Posts

Casa do Sol terá dois dias de literatura e outras artes na 4ª edição da Hilstianas

Ana Salvagni e Ricardo Henrique (foto divulgação) No próximo fim de semana, a Casa do…

15 hours ago

Ana Cristina Colla dança histórias femininas em ‘SerEstando Mulheres’, no Lume Teatro

(foto divulgação) A atriz e pesquisadora Ana Cristina Colla sobe ao palco da sede do…

15 hours ago

Evandro Gracelli Quinteto apresenta jazz à brasileira no show ‘BrAzulcaJá’

(foto tatiana ribeiro - divulgação) O espetáculo musical “BrAzulcaJá”, com o Evandro Gracelli Quinteto, será…

15 hours ago

Coletivo Fly Maria apresenta ‘Mulheres que Voam’ no Centro de Convivência Cultural

(foto felipe valerio reis da silva - divulgação) O grupo Fly Maria usa a dança,…

16 hours ago

Sanfona e Sinfônica se encontram na Concha Acústica do Taquaral no Concerto Viva São João

(foto firmino piton - pmc) A temporada de festas juninas ganha dimensão sinfônica no sábado,…

16 hours ago

Exposição ‘Arte para Ninguém Ver’ transforma túnel da Estação Cultura em galeria

(foto reprodução instagram) O túnel da plataforma da Estação Cultura, em Campinas, se transforma em…

17 hours ago