A Bora – Biblioteca de Obras Raras “Fausto Castilho”, da Unicamp, recebe a exposição “Estado de Edição”, do artista visual Élcio Miazaki, a partir de quinta-feira, 13 de agosto. A mostra faz parte da programação paralela da 8ª Feira [SUB] de Arte Impressa e Publicações Independentes e fica em cartaz até 26 de outubro, com entrada gratuita. A abertura terá um bate-papo com o artista.
“Estado de Edição” reúne estudos, cadernos de anotações, fotografias, documentos, publicações e outros registros que revelam os bastidores da criação de obras apresentadas recentemente no Memorial de Direitos Humanos Ocupado (antigo DOPS), em Belo Horizonte, para onde foram levadas após um episódio de censura que impediu a abertura da exposição original em Ouro Preto neste ano (leia mais abaixo).
O projeto, diz o artista, investiga “os estados de transformação das obras”, abordando questões relacionadas à censura, à violência, aos processos de edição e às formas de permanência e resistência por meio da arte.
Em vez de apresentar obras finalizadas, “Estado de Edição” volta o olhar para a criação artística, revelando como foram construídas, modificadas e assumem novos significados ao longo do tempo, como peças de um quebra-cabeça que se espalham também por outros territórios e que vai ganhando forma dentro do projeto expandido “Corpo de Prova” (veja abaixo).
“Procuro tratar esse projeto como partes que se complementam. Interessa-me compreender como imagens, documentos, objetos, publicações e ações podem assumir novos formatos e sentidos ao circularem por diferentes contextos”, afirma Miazaki.
Arte como reflexão
“Trazer a público os processos de uma exposição como essa do Élcio, que sofreu censura, é abrir espaço para o diálogo, preservar a memória e reafirmar o papel da arte como lugar de reflexão”, afirma Marcela Pacola, uma das organizadoras da Feira [SUB]. A parceria com a Bora, diz, é um caminho para ampliar a circulação do conhecimento, das produção artística e do pensamento crítico, propiciando encontros e o acesso à arte contemporânea da cena independente.
A coordenadora técnica da Bora, Danielle Thiago Ferreira, também destaca a importância da colaboração entre a biblioteca e a Feira [SUB], que vem sendo construída nos últimos anos por meio de diversas ações que conectam seu acervo e o seu espaço dentro da universidade a novos debates e à difusão de trabalhos de artistas fora dos grandes circuitos comerciais.
Essa parceria, afirma Danielle, ganha uma dimensão ainda mais significativa este ano com a exposição “Estado de Edição”, que integra o calendário comemorativo das seis décadas de fundação da Unicamp, estabelecendo uma ligação com a história política e cultural do País, e da própria universidade, ao abordar temas como censura, resistência e democracia. (Com informações de divulgação)
Corpo de Prova
A exposição na Unicamp integra “Corpo de Prova”, projeto concebido pelo artista Élcio Miazaki como uma exposição expandida, que não circula integralmente por diferentes cidades como em uma itinerância, mas se desdobra simultaneamente em instituições e espaços independentes, cada um apresentando um recorte específico da pesquisa. Juntos, esses núcleos formam uma única exposição distribuída por diferentes locais, ampliando a circulação e propondo novas formas de relação entre arquivo, memória, espaço e público.
Em São Paulo, “Arde Outra Vez” reúne uma exposição coletiva de artistas cujos trabalhos tratam de experiências de censura, autocensura e outras formas de restrição à criação artística, além de sessões de vídeos, debates e lançamentos de publicações independentes. No mês de outubro, o projeto chega a Ribeirão Preto, a partir das experiências de Belo Horizonte, São Paulo e Campinas.
‘Habeas Corpus’
Com uma produção que articula fotografia, vídeo, instalação, performance e publicações, Élcio Miazaki investiga em seu trabalho as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura civil-militar brasileira. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP já teve suas obras apresentadas em instituições brasileiras e internacionais e integra importantes circuitos de arte impressa e publicações independentes.
Em março de 2026, sua exposição “Habeas Corpus” , na Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), teve a abertura suspensa pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais dois dias antes da inauguração. A mostra reunia fotografias, vídeos e instalações abordando o corpo masculino, a masculinidade, ditadura e reflexões sobre as Forças Armadas.
A justificativa para a suspensão foi que o conteúdo incluía imagens de nudez. Miazaki classificou a decisão como censura. O episódio mobilizou artistas, entidades culturais e parlamentares e ganhou repercussão nacional. Parte das obras foi depois apresentada no Memorial de Direitos Humanos Ocupado, em Belo Horizonte.
Serviço
Data: abertura 13 de agosto de 2026
Horário: 12h, com conversa com o artista às 13h
Visitação: até 26 de outubro de segunda a sexta-feira das 9h às 17h
Local: Bora – Biblioteca de Obras Raras “Fausto Castilho” – Unicamp
Endereço: Rua Sérgio Buarque de Holanda, 441, Cidade Universitária, Campinas-SP
Ingressos: entrada gratuita
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