Estudantes ocupam reitoria da UFG contra ataque do governo às universidades públicas

Na manhã desta sexta-feira, 05 de setembro, estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG) ocuparam o prédio da reitoria. No comunicado do DCE, os estudantes relatam a situação da UFG, após os cortes de verga do governo federal.

(foto dce -instagram)

“Demissão de trabalhadores terceirizados, racionamento do uso de água e energia (incluindo o desligamento de ar condicionados), corte de bolsas (monitoria, assistência estudantil, etc.) ou atraso no pagamento, falta de verbas para realização de aulas e atividades práticas que envolvem material de laboratório, suspensão do edital de residência médica do Hospital das Clínicas UFG, entre outras. Essa é a atual situação de calamidade da nossa Universidade”, anotam.

Segundo os estudantes a situação vem ficando ruim desde o congelamento pelo governo Temer de investimentos em saúde e educação. “Agora, com o Governo Bolsonaro o projeto de desmonte da Universidade fica ainda mais intenso desde as suas declarações mentirosas e vexatórias sobre as Universidades Federais até os cortes de 30% das verbas destinadas as mesmas e dos investimentos em ensino, pesquisa e extensão”, afirmam.

Veja comunicado do DCE

Hoje, 05 de setembro de 2019, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFG vem a público comunicar a todas e todos pertencentes à comunidade acadêmica e a sociedade que a Reitoria da nossa Universidade encontra-se OCUPADA.

Nós estudantes tomamos essa decisão prática como forma de nos posicionar contra o desmonte protelado da UFG em meio aos retrocessos que a educação pública vem sofrendo de cortes de verbas e ameaça de privatização com o projeto “Future-se” no nosso país. Demissão de trabalhadores terceirizados, racionamento do uso de água e energia (incluindo o desligamento de ar condicionados), corte de bolsas (monitoria, assistência estudantil, etc.) ou atraso no pagamento, falta de verbas para realização de aulas e atividades práticas que envolvem material de laboratório, suspensão do edital de residência médica do Hospital das Clínicas UFG, entre outras. Essa é a atual situação de calamidade da nossa Universidade.

Desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, durante o Governo de Michel Temer, a Universidade Pública começou a sentir o impacto orçamentário que começaria a acarretar prejuízos para o desenvolvimento de uma educação pública, gratuita, democrática, autônoma, socialmente referenciada e de qualidade. Agora, com o Governo Bolsonaro o projeto de desmonte da Universidade fica ainda mais intenso desde as suas declarações mentirosas e vexatórias sobre as Universidades Federais até os cortes de 30% das verbas destinadas as mesmas e dos investimentos em ensino, pesquisa e extensão.

Não temos dúvidas de que Bolsonaro e seu atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, são inimigos da educação! Estes, sob um projeto fascista de destruição das riquezas e patrimônios públicos do povo brasileiro e entregá-los a banqueiros e empresários, agora querem acelerar o processo de destruição da Universidade Pública brasileira. Um país sem educação acessível e de qualidade é um país sem soberania nacional e desenvolvimento baseado na ciência e na tecnologia.

Mas por quê é tão importante defender a Universidade Pública? Cerca de 80% dos estudantes da UFG são de baixa renda, muitos são oriundos de outros Estados do Brasil, ingressaram na Universidade através do programa de cotas e do Sistema de Seleção Unificada (SiSu). A UFG é responsável hoje por formar estudantes da educação básica gratuitamente através do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE), possui o Hospital das Clínicas 100% SUS que realiza atendimentos e procedimentos à população, realiza anualmente mais de 2000 projetos de extensão com a sociedade, desenvolve pesquisas em parceria com mais de 100 países, está entre as 20 melhores universidades do Brasil (RUF 2018 e THE 2018). Essas são algumas das qualidades da nossa Universidade que se encontram ameaçadas com os retrocessos que estão ocorrendo. A Universidade Pública é nossa!

A grande questão que todo este cenário nos coloca é a seguinte: vamos apenas prolongar alguns dias a nossa universidade e esperar por sua morte lenta ou vamos dar uma resposta enfática contra os ataques que a ameaçam? É o momento de mostrar ao Governo federal que não vamos aceitar esta chantagem que vem sido feita. Não ficaremos de joelhos, acovardados, mas lutaremos em pé pelo nosso futuro e de toda a nação.

Por isso também, o Diretório Central dos Estudantes, reforça a chamada para o 4° Tsunami da Educação e o Grito dos Excluídos que ocorrerá no feriado do dia 07/09, com concentração a partir das 8h30 em frente à Catedral Metropolitana de Goiânia (Rua 10), para que possamos lotar as ruas contra as medidas antidemocráticas e anti povo instauradas pelo governo Bolsonaro.

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