Corregedor do Ministério Público viu ações graves de Dallagnol, mas não pediu punição

Em novo vazamento, divulgado pelo site The Intercept Brasil e a Folha de S. Paulo, o então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo Chateaubriand Filho, que deveria investigar ações antiéticas e ilícitas de procuradores, acabou deixando o procurador e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, sem punição. O fato aconteceu em 2017, há dois anos, e Deltan continua comandando a Lava Jato.

(foto valter campanato – agencia brasil)

Em mensagens trocadas, o procurador ressaltou a gravidade da conduta de Deltan Dallagnol na divulgação da palestra na qual ele daria revelações inéditas sobre a Lava Jato, mas deixou de abrir apuração oficial, informam os jornalistas Flávio Ferreira, Amanda Audi e Leandro Demori na Follha.

Mensagens divulgadas em em julho já mostraram que Deltan Dallagnol articulou palestras e eventos para divulgar a operação e lucrar com a Lava Jato. Por lei, procuradores não podem administrar ou gerir uma empresa, mas estão livres para serem sócios ou acionistas. Os vazamentos indicavam que Deltan iria colocar a esposa como laranja da empresa de palestras.

Veja as mensagens sobre publicidade ilegal da Lava Jato

A publicidade dizia:

“Venha conhecer pessoalmente os procuradores da Lava Jato em Curitiba e ficar por dentro do que está acontecendo na operação – em primeira mão!!”

Hindemburgo expôs sua reprovação acerca dos atos cometidos pelo procurador que, a partir de então, alterou o teor da publicidade da palestra. Em seguida, ele afirma que sua intervenção no episódio resultava do apreço que tinha por Deltan e saía da linha de atuação regular como corregedor-geral, o fiscal máximo da atividade dos procuradores.

5 de julho de 2017:

Hindemburgo: “Só quero lhe dizer q liguei em consideração a vc é ao Januário. Como Corregedor, na verdade, não me competia fazer o q fiz.

O procurador Vladimir Aras também escreveu a Deltan avisando que o teor da publicidade estava gerando críticas negativas entre colegas do Ministério Público.

4 de julho de 2017:

Vladimir: “Delta, esse evento pago não está repercutindo bem. A história de “saber em primeira mão”. Já pensaram em suspender?”

Deltan: “Se tiver o conteúdo das críticas, quero saber pra contornar no discurso, mas não suspenderemos de modo algum. Entendo sua preocupação e serei mais cauteloso.

Veja reportagem do vazamento

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