Reforma da Previdência, que tira dinheiro dos pobres e dá aos ricos, tem mais apoio nas classe altas

A Reforma da Previdência do governo Bolsonaro tem amplo apoio das classes mais ricas do Brasil. Em pesquisa realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, quase 70% dos que ganham acima de R$ 10 mil/mês apoiam a reforma. Muitos faturam R$ 30 mil ou R$ 50 mil por mês e são a favor da reforma que vai fazer a população pobre trabalhar mais e receber menos. Ainda assim, pelo menos 26% desses ricos são contra a reforma. Veja análise abaixo de Fernando Brito

A “maioria” pró-reforma, duvidosa e deformada

.Por Fernando Brito.

A Folha, mal contendo o foguetório, publica o que seria, para ela, a formação de uma “maioria” a favor da reforma previdenciária apresentada pelo governo Bolsonaro e modificada na Câmara dos Deputados.

(imgem pete linforth – pl)

O resultado, porém, é de um empate, o que é quase um milagre, depois de seis meses de martelamento contínuo de que, sem ela, o país não sairá da crise econômica e a chantagem explícita sobre os aposentados de que não aprovar a reforma faria com que seus proventos não fossem pagos.

Estimulou-se um raciocínio que, se descrito com crueza, é apavorante: garanta o seu e danem-se os seus filhos e netos.

A prova disso é que em nenhum outro grupo de ocupações o apoio à mudança na previdência é justamente o de quem não será afetado por elas: os aposentados. Entre estes, apenas 32% são contrários, enquanto entre os trabalhadores na ativa -assalariados – a rejeição supera os 50%.

A reforma que veio para “acabar com os privilégios” é maciçamente apoiada pelos privilegiados do país: tem 69% de apoio entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, contra apenas 26 por cento.

É claro que o masoquismo não e tornou uma epidemia. O que está acontecendo é uma campanha de desinformação, que envolveu muito dinheiro e, sobretudo, muita mistificação.

Não se discute que o país precisa reformar seu sistema previdenciário à medida em que muda a estratificação etária da população e ampliam-se as expectativas de vida.

Mas o que está por se fazer é algo bem diferente: rebaixar os valores que serão pagos aos aposentados, elevar o tempo de contribuição numa sociedade que cada vez mais rejeita o trabalhador maduro e condenar os que não alcançam o tempo contributivo ao trabalho eterno.

O dinheiro, que o sistema previdenciário faz fluir para a base da sociedade e irriga a economia inverte o fluxo e vai garantir, com mais folga, o repouso remunerado do capital. Do tijolaço)

Recent Posts

Exposição ‘Na Flor da Pele’, de Joy Kali, investiga o corpo como território de transformação

(foto vinícius santos - divulgação) A exposição “Na Flor da Pele”, da artista visual Joy…

5 hours ago

Viola caipira e cravo barroco se encontram em shows comentados com Ricardo Matsuda e Patricia Gatti

(foto mariana petrucci - divulgação) Duas tradições e memórias musicais distintas – as da viola…

7 hours ago

Mostra de cinema e curso entram no universo do cineasta dinamarquês Lars Von Trier

"Europa" (foto divulgação) A partir desta terça-feira, 10 de março, o Sesc Campinas exibe a…

8 hours ago

Lava Jato 2: quando vão vazar as quebras de sigilo de Ibanês, Castro, Ciro Nogueira e Campos Neto?

(imagem reprodução) A Lava Jato 2 (conluio mídia e investigação), é como está sendo chamada…

13 hours ago

Investigação PF no caso BolsoMaster tem viés político em conluio com a mídia

Lava Jato 2 Nassif: Polícia Federal, a um passo de se tornar polícia política Se…

1 day ago

Mulheres com dupla jornada terão mais contato com os filhos com fim da escala 6×1

Tiffane Raany (foto marcelo camargo - ag brasil) O governo federal defende o debate público…

1 day ago