O petróleo da Venezuela e a falta que faz bons generais brasileiros

A Venezuela, o petróleo e os generais brasileiros

.Por Giba.

“ -General, a Venezuela é um grande país, não é? Felizmente seu povo vive uma vida boa, razoável…

(Ouve-se um soco na mesa)

-Deputado, o senhor está completamente errado! Eu estive na Venezuela! O povo vive uma miséria absoluta…

– Então, general, quer dizer que o petróleo debaixo da terra ou na mão da Standard não traz benefício a povo nenhum!”*

(foto avn)

O debate acima ocorreu entre o deputado Euzébio Rocha e o general Juarez Távora, numa rádio na época da campanha “O petróleo é nosso!”.

Na década de 40, a Venezuela já era uma referência em termos de petróleo (e miséria), 2ª maior produtora, atrás apenas dos Estados Unidos e os dois países tinham algo em comum: suas reservas e indústrias do petróleo eram dominados por empresas americanas. Hoje, a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo!

A partir de 2002 o governo começa a intervir na estatal PDVSA, e a renda petroleira que antes ia toda para as multinacionais americanas, passou a sustentar praticamente sozinha as políticas sociais que tiraram a população da insistente miséria.

Com a crise do petróleo de 2014, o preço do barril chegou a cair para apenas 25% do valor que vinha tendo – se você passasse a receber apenas um quarto do que você ganha hoje, cortaria quais gastos da sua casa?

Na Venezuela as verbas sociais só não zeraram porque a PDVSA cortou na própria carne, deixando de fazer investimentos mínimos. Agora, mesmo com o preço do petróleo subindo (em 63% dos valores de 2013), a arrecadação não cresceu proporcionalmente, pois a produção caiu devido a falta dos investimentos.

A Venezuela nunca teve em sua história investimentos em nenhum outro setor, por isso é tão dependente da indústria petrolífera para sua balança comercial.

O Brasil tem uma economia mais dinâmica, nós investimos de forma mais diversificada ao longo da nossa história, criamos várias indústrias, tanto que exportamos: petróleo, minério de ferro, soja, carne, açúcar, café, aviões, serviços… Mas parafraseando Euzébio Rocha: “tudo isso nas mãos de multinacionais estrangeiras não trás benefício a povo nenhum”.

Saudade de generais como o grande Horta Barbosa, que não veriam com bons olhos os leilões de petróleo, as venda de refinarias e gasodutos, a venda de terras a estrangeiros, a venda da tecnológica Embraer, o descaramento que foi a venda da Vale, a tentativa de mudança da JBS para os Estado Unidos (depois de todo o investimento que nós brasileiros fizemos via BNDES), a quebradeira que a Lava Jato criou na Odebrecht…

*Depoimento de Euzébio Rocha em 1987 para o “Projeto Memória da Petrobrás” – realização CPDOC/FGV e SERCOM/PETROBRÁS.

Giba é ex-petroleiro e radialista.

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