(Foto: João Caldas)

Em São Paulo – O espetáculo performático “Ossada”, inspirado nos textos de Maureen Lipman, Wislawa Szymborska e Laurie Anderson, terá uma temporada de apresentações de 10 de janeiro a 03 de fevereiro no Espaço Cênico, do Sesc Pompeia.

A peça conta com a dramaturgia assinada por Elzemann Neves, Ester Laccava e João Wady Cury; e traz nela situações cotidianas de cinco mulheres: um pai em coma, o casamento de um filho, uma entrevista para a TV, os abusos familiares e um cigarro que nunca acende.

Os monólogos têm em comum a figura da mulher “esgarçada” em sua existência. Personagens que desafinam diante das regras sociais e acabam “vazando”, deixando transparecer o animal indomesticável que habita em nós.

“Os textos colocam em questão a nossa capacidade de (con)viver em sociedade, na medida em que os tempos atuais fizeram cair as máscaras e criaram novas matizes para o ainda primitivo senso de sobrevivência’, explica Ester.

A mulher como sujeito, a mulher como objeto, a mulher […]. O universo das mulheres retratadas nos textos de Maureen Lipman, atriz e escritora britânica, ganha aqui a companhia de outras duas mulheres: a poetisa Wislawa Szymborska, polonesa ganhadora do Nobel em 2006, e Laurie Anderson, cantora, performer e artista plástica.

Os cinco mini monólogos de Maureen Lipman trazem, em comum, mulheres “estendidas” em sua existência. Cinco textos da autora foram selecionados para essa encenação performática, em que a composição com a trilha sonora e iluminação manifestam-se para que a figura inanimada da atriz se projete de forma “espetacular”, impulsionando a ampliação de sentidos do público e trazendo à tona contradições sensoriais.

“Maureen ainda não é figura consolidada aqui no Brasil. Seu livro “I Must Collect Myself” traz 20 mini monólogos, todos inspirados na vida real da autora. Como atriz, diretora e mulher, as cinco personagens que escolhi possuem algo em comum: todas elas são ponto e contraponto de si mesmas. Tão vítimas quanto torturadoras, alheias a um julgamento. E é essa a “joia” que a autora desenvolve com maestria e que deve ser eleita como desfecho da ausência de uma moral”, conta a atriz.

A dramaturgia de “Ossada” funde os escritos dessas mulheres num contexto que coloca em debate a trajetória do mundo enquanto humanidade, ou melhor, a capacidade do indivíduo em compreender a humanidade por um viés de fato humanístico.

Tudo é potencializado no sufocamento causado por frustrações dessas mulheres dentro de um cenário minimalista e selvagem, e com a cocriação das duas iluminadoras: Mirella Brandi e Aline Santini que ampliam a manifestação sensorial decisiva para a atriz e platéia no espaço cênico. Numa instalação que remete a uma sala de museu de história natural, desdobramento do significado da palavra ossada.

Para trazer um frescor na linguagem e sensibilizar o espectador, que é convidado a questionar algumas constatações e crenças que já não fazem tanto sentido nos dias de hoje, a atriz cunha o termo de “teatro instalação performático libertário”, como direcionamento desse projeto. “A missão é provocar o público, revelando que ainda é possível fazer as pontes emocionais e afetivas no mundo globalizado”, destaca Laccava

A escolha por um teatro com elementos da performance visa unir toda a equipe numa só voz. “Um grande sopro de um gigante que tomba esses temperamentos, colocando essas mulheres diante da fragilidade versus a força, na mesma intensidade, como se duas notas dissonantes encontrassem no universo fantástico um lugar possível de se harmonizarem’, finaliza a atriz e diretora. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Ficha técnica
Criação e direção geral: Ester Laccava
Co-criação: Mirella Brandi e Aline Santini
A partir de textos de Maureen Lipman ,Wislawa Szymborska e Laurie Anderson
(Obras da Wislawa Szymborska – Edição da Companhia das Letras – tradutora: Regina Przybycien)
Dramaturgia: Elzemann Neves, Ester Laccava, João Wady Cury
Tradução: Gabriela
Atriz: Ester Laccava
Diretor de Produção: Emerson Mostacco
Desenho de luz e imagem: Mirella Brandi e Aline Santini
Operação de luz: Clara Caramez
Desenho de som e trilha: Muep Etmo
Áudios: Marccelo Amalfi
Operação de som: Rodrigo Florentino
Figurino e colaborador artístico: Chris Aizner
Assistentes de direção: João Wady Cury e Elzemann Neves
Contrarregra: Clayton Guimarães
Designer Gráfico: Carla Vanusa
Fotos: João Caldas
Produção: Lacava Produções e Mostacco Produções
Realização: Sesc

Sinopse
O patético inconfessável no cotidiano de cinco mulheres. São figuras que desafinam diante das regras sociais e acabam vazando, deixando transparecer o animal indomesticável que habita em cada um de nós. Textos de Wislawa Szymborska, Maureen Lipman e Laurie Anderson.

OSSADA
Temporada: de 10 de janeiro a 03 de fevereiro de 2019. Quinta a sábado, às 21h30, domingo e feriado (25/1), às 18h30
Espaço Cênico
Duração: 60 min
Ingressos: R$6 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$10 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$20 (inteira).
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia
Para credenciamento, encaminhe pedidos para [email protected]