‘Água Doce’, da Cia. Tribo, se inspira nas lendas indígenas e nos mitos ribeirinhos

O espetáculo infantil Água Doce, da Cia. Tribo, será apresentado na próxima sexta-feira (2), às 15h, no Galpão Multiuso do Sesc Campinas. Com entrada gratuita e classificação etária livre, a peça, a partir de uma abordagem bastante contemporânea, fala da relação do homem com a água doce, com destaque aos rios brasileiros. “São muitos os rios caudalosos colocados em canos. A peça quer mostrar ao público, principalmente o infantil, a realidade que está por debaixo dos nossos pés”, destaca Milene Perez, atriz e diretora do espetáculo.

(Foto: Aro Ribeiro)

Inspirado na cultura popular, nas lendas indígenas e nos mitos ribeirinhos e nordestinos, o espetáculo narra a história de quatro personagens mitológicos: Iara, Abaré, Cacira e Xirú. Iara, a deusa das águas, destaca-se entre seus irmãos e tem seu valor reconhecido pelo pai, o reconhecido Xirú, que a escolhe para cuidar das águas. “Nesse momento, ela é atacada por sua irmã e, ao se defender, acaba matando-a ao derrubá-la no rio. Iara é amaldiçoada, condenada ao exílio pela aldeia e enviada à pororoca, encontro turbulento das águas do mar com as águas do rio. Dessa forma, Iara se transforma em Mãe do Rio. Sua amargura deixa um rastro de destruição e morte, bem como o rio poluído e sujo”, conta.

O irmão de Iara empreende uma verdadeira jornada do herói para trazê-la de volta, a fim de retomar a vida do rio. Durante essa trajetória, ele conhece personagens folclóricos da cultura indígena, como o Cabeça de Cuia, o Jaguarão, o Pirarucu, entre outros. “Finalmente, depois de muito viajar, passar por redemoinhos e brigar com inimigos, o herói encontra Iara sem saber que ela é sua irmã. No final do embate entre os dois, ao ouvir a voz da irmã, ele a reconhece e os dois se reconectam. Iara finalmente devolve a vida à água doce e segue em seu papel mítico para proteger os rios brasileiros”, explica o ator Rogério Almeida, que também assina a direção musical.

Com texto e direção de Milene Perez e Wanderley Piras, a peça tem cenografia, figurinos e criação de bonecos originais. Os materiais utilizados na criação das ‘criaturas instrumentosas’, desenvolvidas pelo artista visual Adriano Castelo Branco, são provenientes de materiais recicláveis: fitas métricas, talheres, matrizes de garrafas pet, microfone, tachinha de lata, entre outros. Da mesma forma, as canções e a trilha sonora originais foram feitas a partir de extensa pesquisa da cultura popular. Para concebê-la, o músico e ator Rogério Almeida buscou referências na música dos ribeirinhos e em cantigas indígenas, além da música ibérica e de matriz africana. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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