História real de militares, que matavam jovens casais e roubavam os bebês, está na Netflix

Um dos lançamentos deste mês da Netflix é o filme argentino superpremiado A História Oficial, de 1985. O filme arrebatou quase todos os prêmios possíveis na época, inclusive o Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano.

Escrito e dirigido por Luiz Puenzo, o filme tem como pano de fundo fatos reais acontecidos na Argentina após o golpe do general Jorge Rafael Videla que depôs a presidente Isabel Perón em 24 de março de 1976.

Durante a sangrenta ditadura militar argentina, cerca de 30 mil opositores foram mortos.  Os militares praticavam a tortura e morte de jovens casais de esquerda e, após a violência oficial, os militares roubavam os bebês desses casais e os entregavam a comparsas civis para adoção.

Como muitos artistas progressistas de seu país, a atriz principal do filme, Norma Aleandro, foi obrigada a se exilar durante a ditadura. Ela retornou logo após a queda dos militares, em 1983.

O drama da sociedade argentina começou vir à tona com a criação da Associação Civil Avós da Praça de Maio (Abuelas de Plaza de Mayo), também retratada no filme. É uma organização de direitos humanos argentina que tem como finalidade localizar e restituir todas as crianças sequestradas e roubadas pelos militares entre 1975 e 1983. No início da organização, as avós se reuniam na Praça de Maio e eram chamadas de “loucas” pelos simpatizantes do regime militar.

Em agosto de 2014, Estela de Carlotto, presidente da associação, anunciou à imprensa ter encontrado Guido, filho de sua filha Laura. Laura Carlotto foi presa em 26 de novembro de 1977 a Buenos Aires enquanto estava grávida de dois meses e meio, antes de ser assassinada pelos militares.

Algumas premiações do filme:

Festival de Berlim (Alemanha)

1986: Prêmio Interfilm – Otto Dibelius – Luis Puenzo (vencedor, empatado com Lina Wertmüller por Un complicato intrigo di donne, vicoli e delitti)

Festival de Cannes (França)

1985: Melhor atriz – Norma Aleandro (vencedora, empatada com Cher por Mask)
1985: Prêmio do Júri Ecumênico – Luis Puenzo (vencedor)
1985: Palma de Ouro – Luis Puenzo (indicado)

Globo de Ouro (EUA)

1986: Melhor filme estrangeiro (vencedor)

Oscar (EUA)

1986: Melhor filme estrangeiro (vencedor)
1986: Melhor roteiro original – Luis Puenzo e Aída Bortnik (indicados)

Prêmio David di Donatello (Itália)

1987: Melhor atriz estrangeira – Norma Aleandro (vencedora)

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