Estado mínimo: golpe de 2016 e corte social colocou 6,6 milhões de pessoas na extrema pobreza

.Silvia Schor.

A partir do ano de 2014, a população abaixo do nível da pobreza no País passou de 5,2 milhões para 11,8 milhões em 2017, segundo dados do IBGE.

O projeto de Estado mínimo, chamado de “ponte para o futuro’, implantado após o golpe parlamentar de 2016, impulsionou a desigualdade e jogou 6,6 milhões de pessoas na extrema pobreza.

Essas informações constam do Relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, desenvolvido pela organização ActionAid. O relatório elenca os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e mostra como anda o Brasil em relação a eles.

Entre os âmbitos acompanhados pelo relatório está o ODS Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares, que aponta o crescimento dos níveis de pobreza e os cortes orçamentários de programas de seguridade social.

O documento aponta que o Brasil vinha alcançando antecipadamente os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, mas a rota foi interrompida pela mudança de forças políticas dirigentes e indica como os principais motivos a implementação da PEC 95, que limita os gastos por 20 anos, e a Reforma Trabalhista.

A professora Silvia Schor, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e especialista em desigualdade e pobreza, comenta os motivos e os impactos da crescente nos números de pessoas na linha da extrema pobreza no País.

A especialista atribui o crescimento da pobreza às condições internas enfrentadas pelo Brasil, como a incerteza política, que contribui para a queda de investimentos no País. Além disso, acredita que o crescimento da renda do brasileiro é um caminho necessário para a melhoria da situação e para gerar capital que possa ser investido em programas de distribuição de renda.

“A extrema pobreza é uma condição estrutural. Nenhum governo vai conseguir alterar inteiramente essa condição estrutural com a promulgação de uma ou duas medidas.” Silvia Schor destaca que é preciso levar em consideração o tempo entre a prática das medidas e as transformações que elas levam. Então, o caminho é fazer com que os jovens e crianças nessa situação não repitam as condições dos pais e ultrapassem essa barreira com transferência de renda, como propõe o programa Bolsa Família. (Carta Campinas com informações de divulgação)

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