.Por Luís Fernando Praga.
Que poder te faz tão alucinado
E faz a fé ferver teu sangue em ira?
Que, parvo, bem te orgulhas do teu brado:
“O cativeiro é meu, daqui ninguém me tira!”
E teu viver… é vida de verdade?
Ou vaza pelo ralo da torneira?
Como podes saber da liberdade
Se o preconceito te traz pela coleira?
Servo infeliz, ser vil e acorrentado,
Vigia teus irmãos, aponta, atira!
Enquanto te sustentas de passado,
Teu deus seva teus filhos na mentira!
Por que culpar aos outros te faz bem?
Não julgarás pra não seres julgado?
Como podes amar sem ver a quem
Se até o amor, a ti, é tão errado?
Hipócrita cruel, pai do pecado,
Coração da exclusão, mão da chacina!
Teu cancro social foi espalhado,
Mas lutas contra a cura e a vacina!
Que tal amar sem ter que por na cama?
Não há de ser tão duro o tolerar!
Olha a transformação em quem se ama;
Em quem clama por ti, só por te amar!
Mas se o clamor da história não te ensina
Que o paraíso deve ser aqui;
Se infernizar já é tua doutrina,
Não passarás! Passaremos por ti!
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