Pesquisa diz que manejo reduz em até 9 vezes a emissão de metano pelo pum do gado

Uma pesquisa realizada pelo analista da Embrapa Meio-Norte (PI) Marcílio Nilton Lopes da Frota em sua tese de doutorado, afirma que o manejo correto do gado pode diminuir em nove vezes a emissão de metano na atmosfera.

Marcílio Frota constatou que no período chuvoso, quando os rebanhos bovinos costumam ser alimentados com ração de boa qualidade, a emissão de metano é cerca de nove vezes menor do que no período seco, quando as pastagens são escassas e apresentam menos nutrientes.

A pesquisa também diz que a emissão de metano em algumas épocas do ano foi 20% inferior ao preconizado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU (Organização das Nações Unidas.

A pesquisa abre caminho para se contrapor a pesquisas de outros países, que apontam a pecuária brasileira como causadora de impactos negativos ao meio ambiente, devido à emissão de metano pelos rebanhos, em especial o bovino.

De acordo com os resultados obtidos por Frota, a emissão de metano varia de acordo com a alimentação do animal. Quanto menos fibroso e mais digestível for o alimento consumido, menos metano será produzido. Nessa situação, o animal ganha mais peso, leva menos tempo para ser abatido e, consequentemente, diminui o impacto no meio ambiente.

Além da alimentação, a emissão de gás metano no ambiente depende também do sistema de produção. “As propriedades que utilizam o Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), por exemplo, em vez de emitir gases, os sequestra”, ressalta o analista.

O pesquisador acrescenta que, em um sistema sustentável, a exemplo da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, com a pastagem feita anualmente e com o capim na fase ideal para consumo, a emissão de metano será menor do que a observada atualmente. “Além disso, nesse tipo de sistema a captação de gases pelo solo poderá anular as emissões dos bovinos”, declara.

O trabalho ressalta a importância dos sistemas silvipastoris, que apresentam pastos com maior valor nutritivo ao longo do ano. Esse foi um dos motivos para a escolha desse sistema para a realização da pesquisa. “O animal perdeu menos energia em forma de metano do que quando criado em pleno sol. Foi emitido, em determinadas épocas do ano, 20% menos metano do que os organismos internacionais estão apontando. Temos que buscar resultados próprios nacionais para discutir no Brasil e no exterior e, assim, evitar que divulguem informações negativas sobre a contribuição da pecuária brasileira para a emissão de metano”, esclarece.

A tese de Maurício Frota foi apresentada ao Programa de Doutorado Integrado em Zootecnia, na Universidade Federal do Ceará (UFC) e sua pesquisa foi realizada na região dos Cocais Maranhenses.(Carta Campinas com informações de divulgação)

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