Campinas segue modelo que destrói o SUS e transforma a saúde da população em mercadoria

Empresários e governos ameaçam o SUS

.Por Carlos Roberto de Oliveira.

Criado na Constituição de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) é o resultado de décadas de lutas de movimentos e de trabalhadores. É um modelo de universalização de serviço público para o mundo todo. Trata a Saúde como um Direito Humano.

Mas no Capitalismo, Saúde é mercadoria. E os empresários do setor, há tempos fazem lobby para que o SUS seja desmontado. Boa parte do Congresso foi eleita com financiamento do setor privado de Saúde. No governo golpista, o setor empresarial da saúde encontrou ainda mais apoio.

Exemplo disso foi a edição da Proposta de Emenda Constitucional que congelou os investimentos públicos em Saúde por 20 anos. E ainda estamos na fase mais branda desse ajuste. Tanto o congelamento, quando o fim do SUS não são uma necessidade, mas um desejo que expressa um modelo político que privilegia quem tem dinheiro.

Fazendo coro a esse modelo, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), aliado do governo golpista e do PSDB em São Paulo, aprofunda ainda mais a crise na Saúde. A má gestão é tamanha que nenhuma unidade de saúde de Campinas funciona em condições normais.

Jonas reduziu os horários de atendimento, inaugurou unidades de Saúde sem servidores e equipamentos suficientes, não realiza concursos públicos, não garante a manutenção dos prédios e equipamentos, como ambulâncias. Medicamentos faltam aos montes.

O prefeito não aceita críticas, não respeita os espaços democráticos de gestão como os conselhos locais e o Conselho Municipal de Saúde que, há muito tempo, vem apontando problemas, bem com soluções que são ignoradas pelo Executivo.

Por fim, o prefeito é omisso e até conivente com a corrupção. Adotou o equivocado modelo de gestão do hospital Ouro Verde por meio de uma Organização Social. Pior, às vésperas da votação na Câmara Municipal mudou o projeto apenas para garantir a participação da Vitale na licitação.

Carlão do PT

Com a conivência dos vereadores da base, o projeto foi aprovado. Deu no que deu. Diretor nomeado por Jonas Donizette foi preso acusado de corrupção. Ligações para a Vitale foram flagradas do telefone do secretário de Saúde. Os desvios no Hospital Ouro Verde ultrapassam R$ 4,5 milhões. Dinheiro suficiente par melhorar e muito a atenção básica.

Mas o prefeito prefere fazer vistas grossas. Há razões de sobra para a Câmara Municipal instalar uma CPI para investigar os desvios no Ouro Verde, mas também a Saúde como um todo. Novamente, a conivência da base aliada, a pedido do prefeito, está engavetando as investigações.

Pior, aprovou o mesmo modelo falido no Ouro Verde para o Sistema Mário Gatti. Mata aos pouco o SUS ao permitir que dezenas de empresas atuem prestando serviços na área pública. Se apenas com a Vitale o prefeito praticamente decretou a falência do hospital Ouro Verde, imagine agora com a inclusão do Mário Gatti e Pronto Atendimentos. Enquanto isso, as unidades básicas ficarão às moscas.

A única maneira de barrar a quase totalidade da privatização das Saúde é a mobilização popular. A cidade precisa compreender que a grande vítima dessa catástrofe são os usuários, em particular, aqueles que mais precisam de um sistema público de saúde gratuito. Convido você a fazer parte dessa luta.

Carlos Roberto de Oliveira é conhecido como vereador Carlão do PT

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