.Por Marcelo Sguassábia.
Vamos ilustrar com uma situação hipotética. Imagine que eu ganhe quatro mil dinheiros, mas prefira contratar um desempregado por dois mil dinheiros para fazer o serviço no meu lugar, ficando portanto com os outros dois mil dinheiros para mim. Pode ser que, com essa grana, eu viva muito bem, sem precisar trabalhar.
Digamos que isso seja uma “reterceirização”, ou algo parecido. Eu agencio e supervisiono um burro de carga para “limpar a caixa de gordura”, enquanto fico estirado em minha rede comendo pamonhas de Piracicaba o dia todo.
É claro que eu teria que responder pela qualidade do serviço. Se o “quarteirizado” por mim não estiver entregando o que eu entregaria, substituo por outro, depois por outro e por quantos sejam necessários, até conseguir alguém que produza o exigido no prazo desejado. Afinal de contas, a empresa que me contratou só o fez porque conhece o meu trabalho ou teve referências dele.
Por sua vez, é justo que esse “quarteirizado”, se quiser, subcontrate um “quinterizado” ainda mais ferrado que ele no mercado de trabalho, pagando – por exemplo – mil dinheiros. E que este, igualmente por uma questão de justiça, também tenha a opção de arrumar um “sexterizado” que o substitua, e que fique feliz da vida com quinhentão por mês. Sim, quinhentos dinheiros, menos que um salário mínimo. À parte toda a questão legal – ou ilegal – envolvida, a tramoia é perfeitamente plausível. Ainda mais hoje, com profissionais de TI pós-doutorados prestando concurso para ascensorista.
Amparada por lei, a terceirização vem ganhando terreno e tende a se disseminar por setores inimagináveis. Como escrevinhadores de diletantismo e congêneres. Este texto, aliás, é lavra de um terceirizado. Caso não tenha correspondido às suas expectativas, entre em contato com o responsável por este espaço, que tomará as devidas providências.
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