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MBL usa a própria universidade pública para tentar destruí-la, revela dossiê sobre o grupo

Um dossiê jornalístico sobre o grupo de extrema-direita MBL (Movimento Brasil Livre) o coloca como o principal movimento organizado para destruir a universidade pública, a soberania da ciência brasileira e com propostas para acabar com as inúmeras conquistas da sociedade brasileira na educação. São revelados também as formas de financiamento de grupos como o MBL, que tem entre os líderes três membros da família Renan Santos.

O dossiê, elaborado e publicado em um Boletim pela ADunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp) reconhece que o MBL é a principal força organizada com projeto de desmonte do ensino, da pesquisa e das instituições e empresas públicas brasileiras. De acordo com a entidade, a importância de se divulgar essas informações é alertar a comunidade acadêmica e a sociedade para as informações caluniosas que o grupo difunde por rede social. O grupo já foi considerado o principal divulgador de notícias falsas no Brasil. Além disso, seus membros são processados pela agressividade difamatória com que atacam as pessoas.

“Na comunicação com a sociedade, essas forças têm construído pontes que merecem, com urgência, uma análise mais profunda da academia e de todos os que defendem a universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. A comunicação desses grupos é revestida de um discurso de ódio, geralmente simplório e moralista, contra tudo o que é público ou estatal. Sem qualquer discussão, distinção de questões ou debate amplo”, alertam.

Na maioria dos casos, diz o dossiê, são utilizadas redes sociais para atingir em especial os segmentos menos informados da sociedade. “O discurso é sempre fortemente moralista, não sendo difícil uma deliberada atitude em desinformar, ao publicar vídeos e informações duvidosas sem informar quais são suas fontes”, anota o Boletim da ADunicamp.

O boletim também lembra as propostas do MBL, que são “a proibição do debate político nas escolas, fim das cotas raciais e sociais e de outros programas de inclusão nas universidades públicas e, por fim, a extinção, via privatização, da própria universidade pública”.

Os professores alertam que o MBL usa a estrutura da universidade pública para poder destruí-la a partir do seu interior como no caso da própria Unicamp. “Com o apoio de alguns professores, lideranças e militantes do MBL têm encontrado espaço para se movimentar livremente na busca de adeptos de suas causas, promovendo palestra em sala de aula e atos públicos em diversos pontos do campus universitário. Nessas palestras, como aconteceu no dia 11 de abril deste ano em uma sala de aula do Instituto de Computação, Kim Kataguiri e Artur do Val, lideranças do MBL, além dos costumeiros elogios ao deus mercado, vociferaram contra os avanços democráticos conquistados pela sociedade brasileira nos anos recentes. E desfiaram um proselitismo ingênuo que vendem como “apolítico” – ou, mais precisa-
mente, como “apartidário”, anota o Boletim.

As universidades públicas brasileiras, diz a publicação, vivem hoje o risco de um sucateamento e desmonte sem precedentes na história. “Esse desmonte da pesquisa e do ensino públicos caminha a par e passo com o projeto também sem precedentes de privatização das companhias e recursos do Estado brasileiro. Um projeto de privatização contestado inclusive por expoentes da defesa do ‘Estado mínimo’”, anota.

O boletim relembra também que o “ataque em curso ao ensino público e à pesquisa pública é um projeto político conduzido a toque de caixa, e sem consulta à sociedade, pelo governo de Michel Temer que, conforme atestam os institutos de pesquisa, é o mais rejeitado pela população na história recente do País”. (Veja material completo)

Carta Campinas

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