Clientelismo Total: deputados fizeram 7.633 emendas individuais ao orçamento em 2018

O orçamento da União, ou seja, o orçamento da República do Brasil para 2018, é a expressão máxima de que o regime político brasileiro é o novo clientelismo político.

Os deputados no Brasil fazem as leis e executam o orçamento com as emendas obrigatórias. É uma monstruosidade política.

As emendas individuais de parlamentares, o que deveria ser proibido por distorcer o processo político e o próprio planejamento do governo federal, já somam 7.633 das 8.262 emendas à proposta a Comissão Mista do Orçamento.

Esse volume pode aumentar, visto que essas emendas foram computadas somente até a última sexta-feira (20). As emendas apresentadas pelos parlamentares já totalizam R$ 108,5 bilhões. Ou seja, os deputados não só legislam, mas executam o orçamento do Brasil.

Além das individuais, foram apresentadas 639 emendas coletivas. Pior do que isso, o Congresso transformou as emendas individuais em obrigatórias e devem ser direcionadas para obras e serviços em suas bases eleitorais, de acordo com a disponibilidade de recursos no Tesouro Nacional. Os deputados e senadores já indicaram os recursos considerando o teto dos gastos públicos. É a verdadeira República do Clientelismo Político.

A emenda parlamentar individual usurpa o poder do Executivo e fere a Constituição.  “A emenda parlamentar é uma agressão ao artigo 37 da Constituição Federal, que diz que a administração pública obedecerá aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência no gasto público”, anota artigo Raul Pont. A emenda individual transforma o deputado em “dono” do dinheiro público e muitos alardeiam que eles “destinaram tantos milhões para a obra etc etc“.

Pont lembra que a emenda parlamentar não é apenas uma absurda forma de estabelecer o gasto público. Sem eficiência e planejamento, bilhões de reais do Orçamento Geral da União são picotados, pulverizados, sem nenhuma avaliação de prioridades regionais e setoriais nem consideração à opinião da população, que deveria ser ouvida de forma organizada e deliberativa.

Para o economista Juliano Giassi Goularti, o clientelismo político foi preservado, de forma que carregamos uma herança de que a entidade privada precede à pública. “Uma herança racial e mórbida. Uma herança latifundiária e aristocrática. Enfim, carregamos uma herança dos velhos vínculos do sistema senhorial que trancafia um projeto político autônomo, democrático e popular”. (veja artigo)

No governo atual, as emendas individuais também são usadas para que o congresso não abra investigação contra Michel Temer. (Carta Campinas com informações da AgBr)

Recent Posts

Aumento de contratações de docentes temporários é tendência na Educação Básica do Brasil

(imagem ilustrativa - arquivo ag brasil) Aumento gradativo de docentes temporários confirma tendência política nas…

6 hours ago

Suicídio do operador do braço mafioso do Banco Master foi gravado por câmeras de segurança da PF

(imagem reprodução) A tentativa de suicídio do operador do braço miliciano e mafioso do Banco…

12 hours ago

Orquestra Filarmônica de Violas apresenta clássicos da música caipira e da MPB

(foto isabela borghese - divulgação) A Orquestra Filarmônica de Violas sobe ao palco do Sesc…

13 hours ago

Festival celebra heranças e vivências indígenas de hoje com documentário, oficinas, arte e culinária

(foto berilio- divulgação) Campinas recebe neste sábado, 7 de março, o Festival Vivência Indígena, realizado…

14 hours ago

Dia de luta: mulheres ocupam o Centro de Campinas contra a violência e por direitos no 8 de março

(foto Adriana Villar) Neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as mulheres de…

14 hours ago

Financiadores de Tarcísio e Bolsonaro estão presos no centro de detenção de Guarulhos

(imagens reprodução) A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão do…

17 hours ago